parte_ii_capitulo_05 [Alex por Sílvio de Souza Lôbo Júnior] https://silviolobo.com.br/alex/doku.php?id=parte_ii_capitulo_05 V “— Será que Alex viveu todo aquele tempo? — pensava Léo “. “— Que importa? É maravilhoso demais.” Goiânia, domingo. A loja acabava de abrir, Alex era o primeiro cliente. Rosa parecia aguardá-lo. — Vejo q'está pronto. Tome. — disse a pequena entregando-o um botão de rosa vermelha. — entregue a ela. — O que eu digo? — Isto é com você. — Quanto custa? — Vai logo… — Deseja-me sorte? Uma senhora de grande estatura aparentando quarenta anos se aproximou. Sorrindo discretamente, curvou-se para fitar o rapaz nos olhos: — A sorte não anda junto do amor. Vá, e se cuide. Alex caminhou em passos leves esperando que Rosa dissesse algo. Nenhuma palavra foi ouvida. No caminho tomado por um gênio literário, Alex elaborou as mais fantásticas palavras. Chegada a hora, nada impedia, ele queria. Desceu no mesmo ponto que Maria desembarcaria duas horas depois, em seu retorno diário de Anápolis. Atravessou a rua, e no banco de uma pequena praça esperou. Lá de onde podiam ver a chegada de sua pequena. A sorte, porém, lhe faltava em excesso. O ônibus já entrava no bairro e poucos minutos o separava de sua declaração. Neste momento três homens o cercaram indagando-o sobre o que tinha de valor. Alex com calma incomum bocejou, levantou, abriu a carteira e retirou a metade do que tinha, era um bom numerário que fez os ladrões sorrirem. Então o jovem sentou novamente e fitou o ponto de ônibus esperando. Uma intensa pressão no braço, e se viu sendo arremessado ao chão. Colocou-se em pé rapidamente. Segurou um soco com a facilidade de quem apanha um molho de chaves lançado por um amigo, pouca força aplicada à mão e o malfeitor se ajoelhou num misto de espanto e dor, só não mais intensa do que a sentida por Alex. Uma pancada que a qualquer um seria letal foi deferida a sua nuca. Alex caiu. — Morreu… — sussurrou o homem pouco antes de apanhar a rosa e comê-la. * * * Naquela noite muitas pessoas passaram por aquela rua, incluindo Maria que olhou por alguns segundos o corpo desconhecido caído a poucos metros. Ninguém o ajudou. O jovem imortal acordou no dia seguinte. Era tarde o sol lhe queimava a face. Retirou um pequeno relógio com a pulseira quebrada do bolso e olhou as horas. “Maria passara ali duas vezes desde que fora atacado”. Sem dinheiro caminhou até um telefone próximo e efetuou uma chamada a cobrar para casa. Ninguém atendeu. Léo não chegaria antes das dezessete e trinta. Assim Alex voltou ao mesmo banco em que esperava no dia anterior. Bastante sujo não pensava em tomar nenhuma ação importante naquele dia, agora a única coisa que o causou estranheza é que tenha passado tanto tempo e ninguém recolhera seu corpo. À frente alguns homens sorriam e apontavam-no. Léo assim que soube do ocorrido ligou para sua casa e pediu que seu pai fosse auxiliasse o amigo. Alberto não demorou a chegar. E não diferente do filho tinha um comportamento entusiasmado, muito sarcasmo, a busca pela comicidade faziam parte de sua comunicação. Eva, mãe de Léo, recebeu a visita com muita simpatia, demonstrando preocupação. Alex disse que fora assaltado e que pedira ajuda apenas porque não tinha dinheiro para retornar à Anápolis. E não só dinheiro faltava, seu único cartão bancário e um documento de identificação misteriosamente feito na segunda noite na cidade, também foi roubado. Sem documentos, com dor na nuca, e triste por não ter encontrado Maria, retornou para Anápolis, já acompanhado pelo parceiro. No caminho pediu licença por alguns segundos e foi a um telefone público. * * * O frio acabou rapidamente, o calor retornou. E como era intenso! Nas tardes a temperatura passava dos trinta e cinco graus célsius. Alex nadava diariamente, sempre introvertido, refletia sobre os fatos. Seu mundo se restringia a seu amor por Maria, a Léo, que tinha como irmão, e seu livro ainda sem título. A cada braçada a sequência de sua história se criava. “Um imortal, eternamente apaixonado; um monstro, o tempo; um inimigo, sua timidez…” — Uma fuga? — perguntava-se Era sua vida estranha e fria, como um devaneio. A ele restava esperar, e como esperou!