(TXT sem título)
https://silviolobo.com.br/dominiopublico/txt/parte_690193e58c6b41.75067429_95.txt

quebra de ânimo como excesso de pudor, como virtude contra o escândalo.) “Por estar na rua, a presença daquele biltre intimidou o velho soldado (O velho soldado nem por isso perderia direito a continuar sendo o mais legítimo dos heróis: poderia mesmo juntar talvez agora ao antigo, tão discutível e brutal, o heroísmo um tanto menos espetaculoso, mas seguramente mais humano, de salvar o seu decoro intimidando-se, já que é tarde para defendê-lo a pulso ou à força de armas); “Só ao ver ao longe o filho do senhor, o mísero escravo intimidou-se”; ou: “Bastou a presença do mestre para intimidar o menino”. – Amedrontar é “causar medo”; como atemorizar é “causar temor”. Mas a diferença entre estes dois verbos é bem sensível quando se compara medo e temor. (Ver o grupo...) Amedrontamos uma criança, um espírito supersticioso, um assassino acossado de remorso ou perseguido da justiça; atemorizamos o mau estudante com a presença do pai; o perdulário lembrando-lhe o futuro; atemoriza-se o réu diante do tribunal; o menino na presença dos examinadores, etc. Sente-se, portanto, que em atemorizar se inclui a ideia do motivo real, grave, sagrado, que leva alguém a perder o ânimo. “O crente atemoriza-se do castigo divino”; ou – “O castigo do céu atemoriza os crentes”. (Ninguém diria amedronta, nem intimida, e menos

acobarda.) – Assustar é “produzir impressão súbita de espanto ou medo”, é causar susto. É dos mais extensivos do grupo. Até os animais podemos assustar. – Aterrar e aterrorizar confundem-se muito, e sem razão. O primeiro exprime “inspirar um medo, um grande espanto, um súbito terror de imobilizar, abater inteiramente o ânimo aterrado”. O segundo significa também “encher de terror”; mas não sugere a ideia de mistério, de coisa sagrada, de impressão violenta, que se inclui em aterrar. Uma visão diremos que nos aterra; a iminência de uma grande desgraça nos aterroriza. – Espavorir é “fazer abalado de pavor, deixar agitado de susto: e sugere a ideia da fuga que revela o espanto. – Apavorar diz propriamente “encher de pavor, causar grande medo”; e tem alguma coisa de análogo a aterrar por sugerir, quase sempre, igualmente a ideia do que tem de misterioso, como sobrenatural, o pavor que sentimos. Não se poderia dizer, por exemplo: “A noite, lá fora, nos espavore”; mas – “nos apavora”... – Quebrantar é “fazer que se perca o ânimo, que se deixe abater, amofinar”. “Na miséria ou na doença os mais fortes se quebrantam”. “O sofrimento moral quebranta mais que os males físicos”.

111
AÇÕES, fatos, feitos, façanhas, proezas. – Quanto aos três primeiros escreve Roq. “A ação tem uma relação imediata com a pessoa que a executa, representando-nos a vontade, o movimento, a parte que nela tem a pessoa. O fato tem uma relação direta com a coisa executada, representando-nos o efeito, o produto, o que fica executado por meio da ação. Daí vem que as ações são boas, más ou indiferentes, sinalando a palavra diretamente a intenção do que as executa; e os fatos são certos, falsos