(TXT sem título) https://silviolobo.com.br/dominiopublico/txt/parte_690193e58c6b41.75067429_94.txt ho) o seu tempo”; e não – “alumia...” O sol alumia a todos”; e não – “ilustra...” “A palavra de Jesus alumia os cegos” (não – “ilustra...”) Ilustra-se uma obra, um assunto, um debate; e não – alumia-se...” – Iluminar é de predicação mais viva e de ação mais direta que alumiar e ilustrar; e isto quer no sentido próprio, quer no figurado. A lição do mestre abalizado nos ilustra, ou nos alumia o espírito; mas nem sempre nos ilumina; pois iluminar, num sentido muito alto, significa “dar à inteligência uma nova e intensa claridade a que não escapem as coisas mais abstrusas”. Dizemos: “Deus que o ilumine” (isto é – que lhe torne luminoso o espírito, o senso interior); e: “Deus que lhe alumie o caminho escabroso que vai seguir” (isto é – que lhe torne claro o caminho). E como um caminho só se faz claro a olhos que saibam ver, também poderíamos dizer assim: “Deus que lhe ilumine o caminho da vida”. Mas, quanto ao primeiro exemplo, decerto que ninguém teria a lembrança de arriscar: “Deus que o alumie...” Pelo menos esta forma seria de lidimidade muito duvidosa. – Explicar é esclarecer como desdobrando, estendendo, desembrulhando aquilo que se não entendia, mais por defeito da coisa que se explica do que da pessoa a quem é explicada. – Explanar = “explicar tornando simples, inteligível, fazendo fácil”. 110 ACOBARDAR, intimidar, amedrontar, atemorizar, assustar, aterrar, aterrorizar, espavorir, apavorar, quebrantar. – Todos estes verbos enunciam ação de diminuir ou abater o ânimo de...; e pode-se dizer que a nuança entre uns e outros é marcada pelos respetivos radicais. – Acobardar é “reduzir alguém a uma incapacidade absoluta de reagir”. Quem se acobarda perde a coragem para repelir um ataque, ou para atacar um inimigo que o afronta. Muito bem nota Roq., tratando de cobardia, que de um menino (de uma mulher, de um enfermo, ou de um decrépito, etc.) não se pode dizer que seja cobarde, e sim medroso. A noite, a solidão, uma invetiva não acobardam, mas amedrontam uma criança. Também não será próprio o verbo acobardar tratando-se de casos em que a coisa a resistir, a vencer, a atacar, ou a evitar etc., seja superior a forças humanas ou fique fora do nosso alcance. Não se poderia dizer, por exemplo, que uma tormenta, ou um vulcão, ou o relâmpago, etc., me acobarda, mas que me apavora, que me atemoriza ou me quebranta. De sorte que só se entende que alguém se acobarda quando deixa de ter o ânimo que é próprio do homem, da sua função, da sua tarefa, etc. – Intimidar é “fazer tímido”. Pode-se intimidar a todo o mundo talvez; mas aquele que se intimida – ou é de uma prudência tão meticulosa que se avizinha de cobardia; ou é de uma tão delicada modéstia que passa a ter sem dúvida outro nome; ou então é mesmo de natureza ou de condição tímido por ser fraco, submisso, etc. Exemplos: “Bastou uma palavra mais alto e mais áspera para que o outro se intimidasse ali, calando-se”. (O outro aqui não é decerto um herói, mas é possível que explicasse suficientemente a sua