(TXT sem título) https://silviolobo.com.br/dominiopublico/txt/parte_690193e58c6b41.75067429_89.txt bos que ordinariamente se confunde, e sem razão, pois que referir é “indicar positivamente, pelo próprio nome”; e aludir é “indicar por sugestão, referir vagamente, sem dizer de modo expresso qual a coisa a que se alude”. Falar em referência é, pois, falar acerca ou a respeito de coisa determinada clara, precisa, expressamente. Falar em alusão é falar quase a propósito; é falar considerando uma coisa que não foi citada, nem era necessário que se o fizesse, porque todos os que ouvem sabem já qual é a coisa a que se alude. Um sujeito, numa festa, ou num banquete político, por exemplo, pode falar em alusão a certos fatos ou a certos homens sem os referir. 100 ACERTAR, atinar, adivinhar. – Quem acerta dá por uma coisa casualmente, ou então ao cabo de algum esforço. – Quem atina acerta com alguma coisa pondo em ação umas tantas qualidades de espírito (argúcia, tenacidade, tino) que nem todos têm... – Aquele que adivinha vale-se de um tino misterioso, de um dom excepcional que só se explicaria por faculdades que o fizessem superior aos homens comuns. Adivinhar é, portanto, acertar, atinar mesmo com as coisas de que absolutamente nada se sabia, e para cujo conhecimento o adivinho não se serve nem de esforço, nem de acaso, mas de uma vidência maravilhosa. 101 ACERVO, monte, montão, pilha, ruma, rima, cúmulo. – Acervo diz “grande porção de coisas”; e só se usa, fora da acepção jurídica, no sentido figurado, e quase sempre à má parte. “Que acervo de asneiras disse o homem em tão curtos instantes”. Não seria de bom gosto dizer: acervo de verdades. – Monte diz também “grande porção de coisas”; e tanto se emprega no sentido próprio como no figurado: – neste último igualmente à má parte. “Que monte de absurdos!”, “um monte de laranjas, de pedras, de areia, de gelo”, etc. – Montão é aumentativo de monte; e sugere, melhor ainda do que este, ideia de confusão, desordem, grandeza descomunal. – Pilha é “porção de coisas numa certa ordem”: pilha de tábuas, de sacos, de frutas, de armas, etc. – Rima, segundo Bruns., é cada uma das pilhas de coisas iguais e sobrepostas umas às outras, que se esteiam mutuamente. – Ruma é “porção de coisas uniformes, podendo por isso ajustar-se umas às outras, de modo que ocupem o menor espaço possível”. Quem arruma coloca em rumas as coisas que se devem arrumar. – Cúmulo dá ideia de grande quantidade de coisas formando monte; e usa-se tanto no sentido natural como no figurado9. 102 ACESSÓRIO, secundário, contingente, subsecivo, sobressalente. – Acessório se diz de tudo que numa coisa (num corpo, numa questão, num pensamento, etc.), “não é parte essencial ou fundamental”. – Secundário é “o que é de menor importância, de segunda ordem, de valor que não é principal, em relação a outra coisa”. – Contingente é “o que não é necessário, ou indispensável e próprio, e que, portanto, pode permanecer apenas por algum tempo, ou mudar logo”. – Subsecivo é o que pode ou deve ser eliminado, sem que faça falta no todo de que se elimina, por ser aí