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o, vergonhoso, modesto, apoucado, pudico, pudibundo; acanhamento, timidez, vergonha, modéstia, apoucamento, pudor, pudicícia, pudor e pundonor, pundonoroso. – Acanhado se diz do que tem “tão pouco desembaraço e vivacidade e que se mostra tão tolhido que parece diminuir-se aos nossos olhos”. Entre acanhado e tímido é preciso notar diferenças que à primeira vista se não percebem distintamente. A pessoa tímida é natural que se mostre acanhada, entrando, por ex., num salão sumptuoso, ou dirigindo-se a personagem ilustre. É natural também que a pessoa

acanhada pareça tímida, pelos modos como se apresenta. De sorte que se pode entender acanhamento como sinal de timidez, não sendo a inversa perfeitamente verdadeira. Uma criança é natural que seja tímida, e pode ser tímida sem ser propriamente acanhada. Timidez é, portanto, uma condição de índole, uma qualidade subjetiva, e que se manifesta ou pela desconfiança que alguém nos inspira, ou pelo receio de que sejamos malsucedidos, ou ainda pela dúvida em que nos sentimos a nosso próprio respeito; acanhamento diz o gesto tacanho, o enleio no movimento e na expressão, a postura contrafeita, os modos e ares indecisos que revelam a timidez. Acanhamento sugere alguma coisa de rude, trôpego, mofino, sem o modo de ser normal; timidez diz algo de tibieza de ânimo, de retraimento, de irresolução e perplexidade. O tímido pode não ser acanhado; mas o acanhado revela quase sempre timidez; à vista do que, não seria própria esta forma: acanhado e tímido. – Vergonhoso, neste grupo, diz mais do que tímido; pois a vergonha, no sentido que tem aqui, já não dá só ideia de simples tolhimento de alma: significa a vacilação, o escrúpulo, o pejo que, por uma delicadeza da consciência moral, nos impede de comprometer o nosso decoro, de parecer, aos olhos de outrem, de um modo incorreto. Uma criança tímida, nem por isso há de ser vergonhosa, mesmo porque é de supor que uma criança é inconsciente em questões de bons costumes, de pudor, de boa fama. – Modéstia não parece que seja bem como definem os lexicógrafos – uma completa ausência de vaidade: é antes uma virtude dos sábios, e consiste num sentimento natural de justa medida em tudo – no agir, no falar, no modo como se comporta, no trato com toda classe de homens. Modesto diz, portanto, moderado, comedido, razoável; discreto, sem ambições exageradas; indulgente, benigno e afável; sem exal-

tamentos, nem ímpetos – em suma sábio, na acepção moral desta palavra. – Apoucado e apoucamento não se podem confundir com os dois precedentes; nem mesmo se deve admitir apoucamento como degeneração ou vício da modéstia: segundo a própria formação, apoucamento exprime a falta de ânimo, a pequenez de alma e de espírito que diminuem um indivíduo e o tornam inútil, trôpego, imprestável. Apoucado, assim, diz “escasso, tacanho, mesquinho, sem o valor que se devia esperar”. – Pudor e pudicícia usam-se frequentemente um pelo outro. Ambos sugerem ideia de fina sensibilidade em questões de moral; mas