(TXT sem título) https://silviolobo.com.br/dominiopublico/txt/parte_690193e58c6b41.75067429_65.txt do, abstraído e abstrato; abstração e distração vejamos Roq.: “A palavra abstração vem da latina abstrahere, que significa – separar ou arrancar uma coisa do lugar em que está ou supomos estar; corresponde à linguagem metafísica, e designa a operação do entendimento por meio da qual desunimos coisas que na realidade são inseparáveis, para podê-las considerar cada uma em particular sem dependência nem relação com as demais, fixando-nos nela com exclusão de todas as outras. Uma imaginação abstraída só à sua própria ideia atende como se não houvesse outras. No cabedal das línguas cultas ocupam um lugar muito importante as palavras que representam ideias abstratas, e sendo estas o objeto das ciências mais elevadas, como a matemática, a metafísica, e a filosofia, chamam tanto a atenção dos que as estudam que, abstraídos nelas, são indiferentes e como insensíveis aos objetos exteriores. – Abstração é, pois, uma como alheação do homem concentrado naquele objeto interior que o tira como de si mesmo. A palavra abstrato usa-se quando a aplicamos às coisas, e abstraído quando a referimos às pessoas. Falamos em abstrato quando o fazemos com separação de qualquer coisa; e dizemos abstrair-se quando nos alheamos dos objetos sensíveis para nos entregarmos aos intelectuais. O homem que se aparta do trato e comunicação das gentes, ocupando- -se, por assim dizer, em conversação consigo mesmo, e na consideração de suas abstrações, merece o nome de abstraído. Querem alguns que distração seja diversão do pensamento de todo objeto exterior para atender aos interiores; de cuja definição resultará que haja pouca diferença entre as duas palavras, servindo-se de uma por outra, e comumente de distraído por abstraído. Diz-se de um homem que está distraído no jogo em amores, em vícios, por concentrar-se, e, por assim dizê-lo, abstrair-se nisto, distraindo-se de suas obrigações. Em nosso entender, porém, há verdadeira e notável distinção entre as duas palavras; pois a abstração se exerce de fora para dentro, e a distração, ao contrário, de dentro para fora. Uma palavra casual nos leva insensivelmente de um objeto exterior a outro interior abstraindo-nos inteiramente daquele; mas quando, achando-nos no mais profundo desta abstração, nos fere repentinamente os sentidos qualquer objeto exterior, distrai-nos. Se estamos engolfados em nosso estudo solitário, e de repente entra uma pessoa, ou se faz um ruído forte, diremos que nos distraiu, e não que nos abstraiu. Enfim, olhamos a abstração como uma coisa habitual, como uma ocupação contínua, como o resultado de um caráter particular, e assim dizemos: Este homem está sempre abstraído em seus estudos ou meditações. A distração é momentânea e como passageira, separando- -nos da abstração, a que procuramos voltar bem depressa”. – Sobre abstraído e distraído lê-se em Laf.: “Abstraído, abstractus “tirado, atraído para longe de”; distraído, distractus “atraído de um lado e de outro, de diversos lados ou para diversos lados”. O espírito