(TXT sem título) https://silviolobo.com.br/dominiopublico/txt/parte_690193e58c6b41.75067429_68.txt to”. – Sóbrio é “o que só toma o alimento indispensável, e em sentido geral, o que se mostra moderado em todas as funções, e no uso dos bens da vida”. – Abstido é quase o mesmo que abstinente; convindo notar-se que abstido deve aplicar-se ao que, “no momento”, se abstém de alguma coisa: não designa, portanto, propriamente uma qualidade (como se dá com abstinente) mas um estado. – Continente designa “o que tem a virtude de sofrear os impulsos, as inclinações da própria natureza”. Num sentido mais restrito embora, está temperante no mesmo caso: significa “moderado nos apetites, particularmente no comer e no beber”. – Moderado e comedido muito se aproximam. O primeiro, no entanto, designa “uma qualidade mais forte e que parece depender de mais esforço e energia moral”. – Comedido significa “que sabe regular, medir as suas palavras e ações de um modo conveniente”. (Aul.) – Parco diz mais que sóbrio: é aplicável ao que é “pouco abundante, reduzido, pequeno, curto, quase tacanho e avaro”. 73 ABSTRATO, abstruso. – Segundo Roq., uma coisa abstrata é difícil de entender porque dista muito das ideias sensíveis e comuns. Uma coisa abstrusa é difícil de compreender, porque depende de um encadeamento de raciocínios, cuja relação não é possível descobrir nem seguir, e muito menos a totalidade que deles resulta, apesar do esforço extraordinário que nossa inteligência faça para consegui-lo. Um tratado sobre o entendimento humano precisamente deve ser abstrato; e abstrusa dizemos que é a ciência da geometria transcendental. Tudo que é abstruso é abstrato, mas nem tudo que é abstrato é abstruso. 74 ABUNDÂNCIA, fartura, riqueza, opulência. – Abundância (do latim abundan- tia, f. de abundare, f. de ab + undo, are) diz propriamente “em quantidade tão grande que satisfaz plenamente ao que se deseja”. – Fartura diz mais que abundância: significa “em quantidade tal que já excede ao que é suficiente”. – Riqueza é, como diz Roq., “a superabundância de bens da fortuna e de coisas preciosas”. – Opulência é a “riqueza com aparato e ostentação”. – Quem vive na abundância não precisa de mais nada para viver. Quem vive na fartura tem mais do que lhe é necessário. Quem viveu sempre na riqueza “não sabe o que é ser pobre”... Quem vive na opulência goza com ufania da sua riqueza. 75 ABUSÃO, patranha, peta, crendice, superstição, prejuízo, preconceito, prevenção, preocupação, fanatismo. – Todas estas palavras indicam ou sugerem defeito de consciência, impedindo de julgar sãmente. – Abusão é “falsa história, ou caso fictício com que se engana, ou de que alguém se persuade por ingenuidade, ou por índole supersticiosa”. – Patranha diz – “grande tolice, ou conto mentiroso com pretensões a coisa séria e verdadeira, e que só aceitam os néscios”. Aproxima-se-lhe peta; convindo não esquecer que patranha parece significar que as mentiras ou as tolices se referem a assuntos de religião; e que é, portanto, um gênero de petas. – Crendice é, conforme define Aul., crença popular sem funda