(TXT sem título) https://silviolobo.com.br/dominiopublico/txt/parte_690193e58c6b41.75067429_563.txt . – Turno, diz perfeitamente Bruns., supõe repetição do mesmo ato; vez, não (pelo menos nem sempre). Entramos por turno sempre que nos toca entrar; entramos por nossa vez depois de terem entrado os que estavam antes de nós. – É preciso notar que, na linguagem comum, só se usa de vez, em qualquer dos dois sentidos. G32 ÚLCERA, chaga, ferida. – Em alguns casos talvez que se possam confundir estes vocábulos, principalmente úlcera e feri- da. O outro com estes dois é que é mais difícil confundir. Dizemos, por exemplo: úlcera cancerosa, ferida de mau caráter; mas não dizemos: – chaga de mau caráter, nem – chaga cancerosa. Este vocábulo chaga (do latim plaga “golpe, pancada”) designa, tanto a ferida cruenta ou em supuração, como a cicatriz que ela deixou. Sugere ideia de padecimento, e amargura, causada pela violência que produziu a chaga. – A úlcera (do latim ulcus, que significa, entre outras coisas – “esfoladura, escoriação”) é “uma ferida maligna, uma chaga antiga e profunda, que não fechou”. – Ferida designa todo mal causado por ferimento ou contusão. Em linguagem familiar ou comum emprega-se por úlcera, ou chaga. Tem de fato mais estreita afinidade com esta última, sendo toda ferida uma chaga aberta. G33 UM, único, só, singular. – Um designa apenas a unidade; isto é, uma só coisa, a coisa que não é menos, nem mais de uma. “O que é um não é dois nem meio; – o que é único, é que não tem segundo; – o que é só, não tem companheiro; – o que é singular, é que se põe em destaque como único. Único refere-se à unidade perfeita: não se lhe pode ajuntar outra unidade. Só refere-se à solidão absoluta: não se lhe pode ajuntar companhia alguma (pois que do momento em que alguma coisa se lhe ajuntou, já não é mais só). Como, porém, o que é único pode considerar-se sem companheiro que o iguale ou se lhe assemelhe; e o que é só pode também considerar-se como sem segundo que o acompanhe; por isso facilmente se confundem as significações dos dois vocábulos, ainda que a noção metafísica de um seja diferente da do outro. O que é singular também é único, mas somente sob um dado ponto de vista, ou considerado debaixo de algum particular respeito: é o que se dis- tingue dos outros, e entre eles, por alguma qualidade, que não é comum a todos. Dos três maiores filósofos da antiguidade grega, Sócrates, Platão e Aristóteles, nenhum se pode dizer propriamente único, ou só: o seu número basta para mostrar que lhes não compete nenhuma destas qualificações. Mas cada um deles pode dizer-se singular, porque todos o foram na tendência de suas doutrinas; nos métodos que seguiram e ensinaram; na influência que tiveram sobre o progresso das ciências, etc.” G34 UNIÃO, junção. – Junção designa “o ato pelo qual duas coisas cessam de estar separadas; e também se diz do próprio ponto em que elas se reúnem. – União designa o estado de duas coisas que não se acham separadas, quer estejam unidas desde certo tempo, quer tenham estado sempre unidas. O vocábulo união sugere a ideia de um