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ença, efeito, ou circunstância de alguma coisa. Assim dizemos natural “o que pertence à natureza”, ou “diz relação à natureza”, etc.; moral “o que diz respeito aos costumes”, ou “deles depende”; casual “o que é, ou parece efeito do acaso”, substancial “o que pertence ou diz respeito à substância”, ou é “acessório dela”. Segundo, pois, a diferença das respetivas terminações: sociável quer dizer “o que tem potência, força, capacidade, ou virtude natural de viver em sociedade; o que tem disposições naturais que o solicitam para o estado de sociedade”. Social quer dizer “o que pertence, diz rela-

ção, ou respeito à sociedade; o que é dependência, acessório, efeito, ou circunstância do estado de sociedade. O homem é sociável; e, por isso, em nenhuma parte da terra se tem descoberto homens que não vivam no estado social, mais ou menos desenvolvido, mais ou menos aperfeiçoado. Todas as suas disposições físicas e morais mostram que a natureza o solicita para o estado de sociedade, e de tal maneira que ele não poderia viver, nem conservar-se, nem desenvolver as suas mais nobres faculdades, fora desse estado. O homem, pois, é essencialmente sociável. O pretenso estado natural, que alguns autores parece que têm querido pintar-nos como estado primitivo do homem, é uma quimera. O homem, porém, não pode conceber-se no estado de sociedade sem certas relações com os seus semelhantes, sem certos deveres para com eles. Essas relações e deveres são sociais. Nesse mesmo estado, e à proporção que ele se vai aperfeiçoando, desenvolvem-
-se no coração humano certos sentimentos;
o homem adquire certas virtudes; governa-
-se por leis, usos, práticas e opiniões, etc. Estas opiniões, usos, leis, virtudes etc., são sociais. A amizade, a generosidade, o amor da glória, etc., são sentimentos sociais”.

G04
SOPORÍFERO, soporífico, soporativo, soporoso. – “Derivam-se estes adjetivos da palavra latina sopor ‘sono’, e com eles qualificam-se as coisas que têm a propriedade de fazer dormir ou adormecer”. – Soporífico dizemos com relação ao estado de sono produzido pela coisa que assim se qualifica; dizer que uma substância é soporífica, é declarar que ela faz dormir, que ela causa realmente o sono, ou põe no estado de sono. – Soporífero, termo quase só usado na linguagem científica, exprime a propriedade das substâncias que trazem, que dão o sono. – Soporativo, que pertence, como soporífi-

co, à linguagem usual, distingue-se deste em exprimir, não o estado de sono, mas a virtude, que tem a substância, de produzir esse estado. Quando se administra uma poção soporativa, é para que ela faça adormecer. – Soporoso é termo pouco usado; mas devido à terminação abundanciosa oso, ‘significa o que produz sono em grau excessivo, talvez até perigoso’. Uma substância soporosa mergulha em sono profundo. Qualquer narcótico tomado em grande dose é soporoso”.

G05
SÚBDITO, vassalo, cidadão. – Segundo Bruns.: – Vassalo indica uma dependência, não só mais direta e mais próxima que súbdito, senão