(TXT sem título)
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, um vício do caráter, ou devido a circunstâncias da vida que nos abalem o sentimento oposto. Tem-se desconfiança dos homens, do futuro, do sucesso do nosso esforço, e até do tempo, do acaso, etc.

– Receio e suspeita distinguem-se assim: a suspeita é uma ligeira cisma ou desconfiança de que algum dano se nos faça, ou venha contra nós, como de outras vezes, ou como em casos análogos se tem dado com outros; e receio é a dúvida incômoda, quase aflitiva, em que se está de que nos venha ou suceda algum dano, ou deixe de vir-nos alguma coisa que desejamos. Temos suspeita de que ele prometeu, mas não vem. Temos receio de que nos intrigue com o rei. – Cisma, que é vocábulo pouco usado em linguagem literária, será o mesmo que “um princípio, os primeiros sinais do estado ou condição de espírito que os três precedentes enunciam”. Tem desconfiança? – Não: tenho apenas umas cismas... Desvaneceu-se-me a suspeita: nem a mais ligeira cisma tenho hoje a toldar-me esta serenidade de alma... Todos os seus receios estão desfeitos: aquela cisma que ainda mostra vai acabar logo.

G12
TÁCITO, implícito, subentendido. – Tácito é o que se não diz expressamente por estar subentendido. Acordo, consentimento, permissão tácita é o que se fez ou deu pelo silêncio ou pela inação, sem falar nem agir contra. – Implícito é o que, de própria natureza, ou razão, uso ou estilo, se contém noutra coisa como ocultamente, isto é, sem estar nela claro ou expresso. A consequência está implícita na premissa (isto é – como metida dentro dela, implicada). – Subentendido é “o mais que deixa entender o que já foi dito”; propriamente “o que fica – dir-se-ia
– por baixo do que se disse”. Quando eu digo:... “foi morto” está subentendido que há um assassino ou matador...

G13
TASCA, taberna (ou taverna), venda, quiosque, baiuca, bodega, espelunca, locanda. – Taberna é propriamente “a pequena casa

onde se vendem bebidas a retalho”. – Tasca é “a casa onde se come e bebe ligeiro e barato”. – Está hoje muito em uso quiosque, que é uma tasca em meio de praça, ou em esquina de rua; feita de madeira, como um pequeno pavilhão com largas abas, dentro do qual só está o vendedor, ficando do lado de fora os fregueses. – Venda é “toda pequena casa onde se vendem gêneros comestíveis”. É de todas, a palavra mais usada hoje no Brasil e em Portugal para designar a casa de negócio a varejo de toda espécie de produtos alimentícios. – Baiuca é “a tasca escusa, imunda, onde se reúnem desordeiros e malandros”. – Bodega é outro nome da baiuca. = Espelunca – “lugar escuso e imundo, onde se reúnem viciados”. – Locanda – “cubículo, sujo e em desordem, onde se vendem comidas ordinárias”.

G14
TÁTARO, tatibitate, tartamudo, tartamelo, gago. – Tátaro “é voz imitativa e familiar que indica uma certa tartamudez em que predominam as sílabas tá, tá. Os tátaros mudam comumente o c em t, e dizem – Tatarina, em vez de – Catarina; – taxa, em vez de – caixa, etc. – Tatibitate é também voz imitativa e chula com que se designam os t