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a pa-

lavra (formada do grego topos “lugar”, com o prefixo negativo ou, significando, portanto, “não lugar” ou “lugar não existente”) é o nome que deu Thomas Morus a uma ilha imaginária, onde se ensaiam instituições excelentes em teoria, mas falhas na prática, ou de aplicação muito difícil. Daí o sentido que tem hoje em todas as línguas modernas esta palavra utopia. Aplicamo-la a toda ideia, projeto, aspiração, etc. que se considera como belo sonho irrealizável ou que só se poderá realizar em futuro impossível de prever. Utopia não é, portanto, coisa que se pareça com quimera; e tanto assim que se costuma dizer: quanta aspiração, que foi ontem utopia, é hoje realidade... querendo deste modo indicar que isto de ser uma coisa utopia pode muito bem estar mais na sua extemporaneidade do que propriamente no seu valor ou no seu modo de ser. – Fantasia não sugere o que de monstruoso, disparatado, absurdo tem a quimera: designa apenas aquilo que é falso; que não corresponde logicamente ao que é normal; que não existe na natureza, ou cuja ideação não decorre da natureza. – A utopia pode vir ainda a realizar-se; não a fantasia... se bem que, a dar-se isso, não seria decerto a primeira vez que se visse entre os homens coisas dessa ordem. – Visão, aqui é quase o mesmo que fantasia; pois enuncia a ideia de coisa que só tem existência no espírito alucinado. É preciso notar, no entanto, que na fantasia se supõe capricho, extravagância bizarra: ideia que se não inclui tão bem em visão. O visionário vê coisas que não existem; o fantasista cria, inventa coisas falsas; o utopista sonha com alguma coisa muito bonita, mas pouco ou mesmo nada pratica: – Ilusão, neste grupo, é “coisa falsa que se nos apresenta ao espírito como coisa real”. É por isso que se lhe dá também o sentido de “esperança vã, ou confiança exagerada na sorte”, quando se diz, por exemplo, que F. não tem mais ilusão,

ou ilusões na vida; querendo significar que F. agora já vê as coisas como elas são; que já distingue as coisas reais das falsas coisas.

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RADIANTE, radioso, irradiante, irradiador; faiscante, cintilante, chispante, coruscante, relampejante, flamante, reluzente, flamejante, fulgente, refulgente, fulgurante, brilhante, resplandecente, resplendente, fagulhante. – Havia dito S. Luiz que radiante é o que atualmente lança raios de luz; e radioso, o que em si mesmo, e como de sua natureza, tem a qualidade, a propriedade, a força de lançar luz, ou raios luminosos. O sol é radioso, ainda quando não está radiante. – E escreveu depois Roq.: A efusão abundante de luz caracteriza o corpo que se diz radioso; a emissão de muitos raios de luz, o corpo que se chama radiante. Distinguem-se os raios de um corpo que é radiante; no radioso estão os raios de luz confundidos... Falando com propriedade, os raios de luz emanam da substância radiosa, e como que rodeiam a substância radiante. A palavra radioso sinala a propriedade, a natureza da coisa; e a palavra radiante, uma circunstância, um estado da