(TXT sem título)
https://silviolobo.com.br/dominiopublico/txt/parte_690193e58c6b41.75067429_545.txt

ngue-
-se dos outros deste artigo por designar um ato premeditado em segredo, e que só se manifesta no momento de o realizar. É verdade que a pessoa sobre a qual a vingança se exerce pode supor (desconfiar) que algo se trama contra ela; ignora, porém, como e quando esse algo a assaltará... – Desforra é o ato pelo qual alguém retribui a outra pessoa a desvantagem que esta lhe infligiu anteriormente. A desforra deve precisamente ser da mesma espécie da desvantagem recebida; ou, a ser de outra espécie, deve considerar-se como sua equivalente. A desforra sempre é tida em conta de justa e leal, e é frequentemente oferecida pela pessoa que obteve a primeira vantagem. – Represália é “o dano que se faz em compensação (em revide, como retaliação) ou vingança de outro dano recebido”. – Retaliação é “o ato de fazer a outrem um mal, ou causar-lhe um dano igual ou semelhante ao que nos causou”. – Desforço é “a vingança mediante a qual alguém se ressarce de mal recebido, ou

recobra a vantagem de que tinha sido despojado”. – Despique é “vingança pequenina, desforço acintoso, desforra maligna”. – Vindicta é a vingança imposta ou infligida como castigo. Dizemos – a vindicta da lei (não – a vingança); – a paixão da vingança; – vingança cruel, insana (e não vindicta).

885
RESIGNAÇÃO, passividade, paciência, abdicação, renunciamento. – Define-se quase sempre a resignação como “um completo abandono da vontade própria a outra vontade superior”; portanto, como uma submissão absoluta ao que tenha de ser fatalmente. Neste caso, porém, deixaria a resignação de ser uma virtude, como faz crer o instinto de quantos, à vista de grandes males irremediáveis, aconselham sempre que nos resignemos; e muito convencidos de que é sábio o conselho. Entendemos nós, no entanto, que a definição acima quadra a passividade, não a resignação. A resignação ativa é que é virtude, e grande virtude própria de grandes almas; não se confundirá nunca com a passividade do inorgânico. – Resignação, como virtude cristã, é o fundo e discreto compungimento da consciência que se consola de tudo haver feito por evitar o mal ou a desgraça. O sujeito que vê sacrificar a inocência e não morre por ela; o pai que abandona os filhos porque não tem com que os sustente; o homem que sofre injustamente uma vergonha e não geme, ou um ultraje e não protesta – não é um resignado, mas um ente passivo. – Paciência é “uma virtude muito semelhante à resignação: é a virtude que nos leva a sofrer, sem clamor de escândalo ou de ridículo, os males que não podemos evitar”. O grande exemplo de paciência, que até hoje não foi excedida, é o de Job, que padeceu todas as misérias e desgraças e cada vez mais firme de consciência e mais fiel na dor. – Abdicação é “o ato

de abdicar, isto é, de desistir, de abrir mão daquilo que nos pertencia, ou pelo menos de que estávamos de posse”. É ação, não é qualidade, nem estado. Poder-se-ia, em muitos casos, confundir mais com abnegação do que com qualquer outro do grupo, se abnegação nã