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gradavelmente por uma causa, seja interna,

seja exterior: a vista de um belo quadro, a leitura de um belo poema causam um sentimento de prazer; a lembrança de uma boa ação, a consciência de um dever cumprido – causam um sentimento de satisfação. Do mesmo modo que as impressões contrárias produzem sentimentos opostos a esses. Esta distinção entre sentimento e sensação traz outra consigo; a saber: a que consiste em que sentimento é fenômeno de mais duração, ou antes, exprime a sensação considerada quanto à sua intensidade e mais longa duração: um sentimento de tristeza, etc.” – Bruns., depois de haver traduzido o que precede, transcreve ainda um artigo da Academia Espanhola, do qual destacamos esta parte: “Por sentimento sempre se tem entendido, e sempre devera entender-se, toda modificação da parte afetiva da alma, e, por conseguinte, entram nesta categoria os apetites, os desejos, os afetos, as paixões. Em caso algum pode chamar-se sentimento à impressão dos objetos exteriores nos órgãos; esta impressão não pode ter outro nome senão o que sempre lhe deu a filosofia; a saber: sensação. O gozo, a ira, a ambição, sentimentos; o frio, o calor, o ruído são sensações.”

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PERPENDICULAR, vertical. – Uma linha pode ser perpendicular a outra, qualquer que seja a posição dessa outra; mas uma linha só está em posição vertical quando está a prumo, isto é, perpendicular ao eixo da terra, ou ao plano do horizonte astronômico. Uma linha perpendicular a uma inclinada, a uma horizontal, a uma vertical; uma perpendicular a outra perpendicular. A perpendicularidade indica, portanto, relação certa de uma com outra linha. A verticalidade indica posição certa de uma linha. À linha perpendicular só se pode opor uma inclinada ou oblíqua; à vertical opõe-se a horizontal.

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POETA, vate. – A origem da poesia (diz Alv. Pas. melhor do que outros) remonta muito longe; e creem alguns que fora inventada para louvar a Deus; e que existia muito antes de Moisés. Os poetas daqueles remotos tempos costumavam recitar os seus versos, tendo na mão uma vara de loureiro; cerimônia esta usada também pelos que prediziam o futuro, ou adivinhos: e daí parece que veio a denominação comum de vates; porém há poetas que, bem longe de conhecerem o futuro, desconhecem as mesmas coisas presentes, e que se não podem por isso apelidar vates. Poeta é o que faz obra de poesia. Deriva a palavra de um nome grego que significa “fazer e fingir” – duas propriedades da poesia. – Poeta é o que celebra feitos em poesia; é o cantor facundo do apolíneo coro. – Vate, ainda que muitos pretendam que derive de vi mentis, é, contudo, próprio de quem sonda os arcanos do porvir: é o que, inspirado e cheio do furor de Apolo, prediz acontecimentos na linguagem sublime da poesia. É do vate que escreveu Ovídio este verso:
Est Deus in nobis, agitante calescimus illo. No mesmo sentido o tomou Camões na
Eclog. VI, quando disse:
Verá que os moços pescadores eram, Que o escuro enima ao vate deram.
O vate é o
Intérprete