(TXT sem título) https://silviolobo.com.br/dominiopublico/txt/parte_690193e58c6b41.75067429_529.txt um livro. – Página refere-se, portanto, ao que se encontra na lauda. Mesmo quando se diz – página em branco, o que se quer é marcar a estranheza com que entre as páginas há uma simples lauda. Entre página e folha poderia haver confusão em alguns casos; neste por exemplo: Procure a folhas tantas; ou – Procure à página tal. Em regra, para clareza, aumenta-se à folha o restritivo verso (ou reverso em alguns casos): folha tal verso (isto é – a folha vista ou entendida pela lauda oposta à da frente). Por último: página sugere ideia de número de ordem, tanto como a de quantidade: a página 50 deste livro; um livro de 800 páginas. Não se usa dizer – um livro de 200 laudas; como não se usa dizer – uma carta de 5 páginas. 852 PALPÁVEL, visível, sensível, perceptível, táctil. – Palpável é o que se sente pelo tacto; e, no sentido translato, é o que está tão claro, que é tão real que é como se pudesse ser palpado. – Visível é o que se percebe pelo sentido da vista, o que “entra pelos olhos”, como se diz. – Sensível é o que se pode perceber imediatamente por algum dos sentidos. – Perceptível sugere ideia de que a faculdade que percebe é mais alta que o simples sentido. Não se diz, por exemplo, que as rugas ou asperezas de uma superfície são perceptíveis (mas – que são sensíveis). Ninguém diz que a verdade ou a profundeza de um conceito é sensível (mas – que é perceptível). Percebe-se propriamente com a inteligência; sente-se com os sentidos. – Táctil difere de palpável em só poder aplicar-se no sentido natural. Propriamente, táctil diz – que pode ser apalpado; ou então – relativo ao tacto. 853 PARALOGISMO, sofisma. – Paralogismo é – diz S. Luiz – “um raciocínio falso, ou uma argumentação viciosa, que se faz por erro do entendimento. – Sofisma é uma argumentação falsa, que se faz de propósito maliciosamente e com artifício, para enganar. É propriamente uma argumentação capciosa e insidiosa. O paralogismo emprega talvez princípios falsos como verdadeiros, ou proposições incertas como demonstradas; e talvez erra no modo de deduzir as consequências; mas quem faz paralogismo engana-se a si, antes de enganar os outros; cuida, por erro, que discorre bem, que tem achado a verdade. O sofisma arranja com tal artifício os princípios, os termos das proposições, e a ordem do discurso, que vem a tirar consequências falsas. Mas quem usa do sofisma quer de propósito enganar os outros. O paralogismo nasce dos nossos erros: é um efeito da fraqueza do entendimento humano. O sofisma nasce da malícia, e da má intenção: é um efeito do interesse que temos de enganar e iludir aqueles a quem falamos.” 854 PARELHA, junta, par, casal. – Ideia de dois indivíduos – é a que enunciam de comum estes vocábulos. – Parelha só se diz de animais de tração ou de corrida. – Junta só se emprega tratando-se de bois de tração ou de tiro. – Par é mais genérico que os precedentes; e tanto se aplica em referência a coisas como a indivíduos, e mesmo a pessoas. Par elegante (marido e mulher); par de