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da voz onipotente
Que o distante futuro tem presente.

85G
POESIA, poética. – São de tal modo distintas estas palavras que nem aqui as agruparíamos se já não figurassem entre os nossos sinonimistas. – Poética designa, segundo um dos mais recentes, a coleção

de regras, segundo as quais os poetas, isto é, os homens que nascem com propensão para a poesia, fazem as suas composições. Assim é que dizer poética vale tanto como dizer – arte do poeta. – Poesia é o produto de tais regras postas em execução pelo gênio do poeta. De propósito se diz – pelo gênio, e não – pelo talento do poeta, porque o poeta nasce, não se faz; pode aperfeiçoar-se observando as regras, mas não pode fazer-se poeta a si mesmo, se a natureza o não tiver feito.

8G0
PONTÍFICE, prelado, bispo, sacerdote. – Pontífice é hoje – diz Bruns. – como sempre foi, o sacerdote que dirige o culto, e exerce suprema inspeção sobre os outros sacerdotes. No catolicismo só se diz do Papa. – Sacerdote é qualquer padre – seja qual for a sua jerarquia – no exercício das suas funções, e só em relação a essas funções. Quando se diz: sacerdote indigno, tem-se apenas em vista a indignidade do padre em exercer as funções do seu ofício. – Prelado é título jerárquico que apenas se dá aos mais altos dignitários da igreja católica: cardeais, patriarcas, arcebispos, bispos, chefes de ordens religiosas regulares, núncios, legados, abades e priores de certos mosteiros, etc. Este vocábulo, repetimos, é relativo apenas à jerarquia do eclesiástico. – Bispo é o prelado que tem a seu cargo a direção espiritual de uma diocese.

8G1
PORQUE, pois que, pois, que. – Todas estas palavras servem para explicar a razão do que se diz. – Porque não só indica certeza, mas enuncia causa, razão, motivo mais direto que o enunciado pelos outros. Fico porque não posso ir. Não compro porque não tenho dinheiro. – Pois que explica como natural, provável, usual o que se afirmou

ou negou. Não recitarei o soneto se me não animarem; pois que nem todos têm a coragem daquele rapaz... – Pois está no mesmo caso; e parece sugerir ainda uma explicação ou uma conclusão menos imediata, mais vaga, menos positiva. Não farei o que me pedes, pois para tanto não tenho autoridade. Nota-se que a relação conjuntiva enunciada pelo precedente pois que (sendo mais vaga ou mais frágil que a expressa pelo primeiro do grupo porque) é mais forte e mais direta que a enunciada pelo vocábulo pois. – Que também se emprega com a significação dos demais do grupo. Não irei; que em casos tais o melhor é não ser apressado. Não posso dizer-lhe; que nem sempre se deve ser franco. Farei o que me ordena; que para isso estou desde muito preparado.

8G2
POSSUIR, ter. – Temos aquilo que nos pertence; possuímos o que é nosso e de que estamos de posse. Para ter, segundo Alv. Pas., não é necessário poder dispor de uma coisa, nem mesmo que ela esteja atualmente entre nossas mãos ou sob a nossa guarda direta; basta que essa coisa seja nossa. Para possuir é necessário, se não rigor