(TXT sem título) https://silviolobo.com.br/dominiopublico/txt/parte_690193e58c6b41.75067429_527.txt amente. O vento forma ondas no mar, nos lagos, nos rios, e até nos tanques. Não inclui, portanto, esta palavra nenhuma ideia de violência. Não obstante, como a língua portuguesa carece de vocábulo que por si só designe os montes de mar que com violência se arrojam de encontro aos navios ou à costa, é com este termo onda modificado que se exprimem as ideias que dele derivam: as ondas vêm beijar a praia; ondas preguiçosas, impetuosas, alterosas, furiosas, etc. – Vaga é a onda, de mar ou de lago, que se considera quanto ao seu grande volume, não propriamente quanto à violência. – Vagalhão é a grande vaga, a vaga do mar irritado, a qual excede em volume às que a precederam. – Escarcéu é o cume espumoso das grandes vagas muito agitadas. – Marouço, termo pouco usado, é um coletivo que designa quantidade de montes de ondas que se notam numa paragem. (Bruns.) 847 ONZENA, usura. – Usura, segundo Lac., “designa em geral o lucro avantajado que se tira do uso de alguma coisa, e especial- mente de negociação, ou de dinheiro que se empresta a outrem. Assim, pois, usura compreende a ideia de toda sorte de lucro, mesmo legítimo. – Onzena, porém, significou sempre lucro excessivo, imoderado, ilegal. O vocábulo usura acha-se muitas vezes empregado em bom sentido; porém onzena não se acha nunca empregado senão em mau sentido. Hoje a palavra tem a significação que se dava dantes à palavra onzena, tendo esta caído em desuso, e já não se empregando no estilo mercantil.” 848 OPÇÃO (optar), escolha (escolher), preferência (preferir). – Exprimem de comum estes vocábulos a ideia de manifestar preferência por uma entre duas ou mais coisas. Mas a opção é ato que tem alguma coisa de jurídico; e quando entre dois ou vários empregos tem a mesma pessoa de declarar qual deles quer exercer, não se diz que escolhe, mas que opta por este ou por aquele. De optar decorrem, neste caso, consequências de direito: a opção feita é uma escolha definitiva. De uma variedade de frutas escolho (não – opto) as que mais aprecio. “Eu vos escolhi do mundo” – disse Jesus aos seus (e não – vos optei). F. optou pelo cargo menos rendoso, porém mais brilhante (não – escolheu). A lei reconhece o direito de opção quanto à nacionalidade aos estrangeiros que... etc. (e não – direito de escolha). – Preferência = “ato de preferir; isto é, de querer antes uma que outra coisa”. 84G OUTREM, outro. – Há uma perfeita distinção entre estes dois vocábulos, por mais frequentemente que na prática vulgar se confundam. A diferença essencial que os separa consiste em que: outro se aplica, ou é aplicável, como determinativo, isto é, para determinar quer coisa, quer pessoa; e outrem só tem função pronominal, e só se aplica em relação a pessoas. “Outro tem as formas adjetivas, e deve por isso mesmo ter claro, ou subentendido, um nome substantivo, a que se refira a sua significação; v. g.: vi outro homem; plantei outra árvore; liguei um metal com outro. Outrem não precisa de nome algum que o determine, porque ele mes