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segundo Platão, tudo quanto parece que nós aprendemos de novo não é, na realidade, senão reminiscência”. – Retentiva seria sinônimo perfeito de memória, se não acrescentasse à noção de reter na memória a ideia de lembrança ou recordação súbita e viva.
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MENDIGO, mendicidade, mendicância; indigente, indigência; pobre, pobreza. – De pobre e mendigo diz Alv. Pas.: “São sinônimos estes dois termos quando se considera

o mendigo como um homem reduzido à última pobreza. Porém mendigo não supõe necessariamente a pobreza, e muitos mendigos há por ociosidade e calaçaria. – Pobre é o que tem falta do necessário para viver; mendigo é o que pede esmola. Não devas a rico, e a pobre não prometas. – Mendigo vem de manu dicus, segundo S. Izidoro, porque os pedintes noutro tempo não falavam e só abriam a mão, e com a ação manifestavam a sua necessidade. A pobreza supõe um estado sempre involuntário, e a mendicidade pode ser voluntária. Triste vida é a do pobre: se pede, envergonha-se; se não pede, morre de fome: a necessidade o obriga a mendigar, e
o mendigar o torna aborrecido. Em verdade
o dizemos: que não é das melhores coisas a pobreza; mas antes ser pobre de bens que de ideias; e quase sempre os que têm riqueza de espírito são os mais faltos de fortuna, porque as duas coisas raramente se agasalham debaixo do mesmo hospício. O corpo místico de Jesus Cristo tem por mãos os reis, e os prelados são os olhos; mas os pobres são as suas entranhas – estão chegados ao seu coração; e quando for tempo de vir ele castigar as injúrias que lhe fizeram, começará por aqueles que o desprezaram na pessoa dos seus pobres... Pelo contrário, o Senhor atenderá os amigos dos pobres naquele dia tremendo... O mendigo que pode trabalhar é um ladrão de profissão, que rouba aos verdadeiros pobres; e aquele que lhe dá esmola por mal-entendida caridade é cúmplice do seu roubo”. – E é por aí que nos devemos guiar para distinguir mendicidade e mendicância. Ambos estes vocábulos designam
o ato de mendigar; convindo não esquecer, porém, que a mendicidade é o ato de pedir por necessidade, a vida de mendigar por ser pobre; e como mendigar legitimamente. A mendicância é, por assim dizer, o vício de mendigar, de viver como mendigo, isto é, pedindo sem necessidade, por especulação

e manha. – Indigente é vocábulo mais extenso que mendigo, e é tão extenso como pobre, pois tanto este como indigente podem ser aplicados fora dos casos em que têm o sentido restrito e comum de falto de bens, ou carecedor do necessário. Tanto se pode ser simplesmente pobre ou indigente de ideias, de moralidade, de recursos, etc., como indigente ou pobre de bens. – Indigente diz muito mais que pobre: a indigência é a falta do indispensável; enquanto que a pobreza é mais propriamente a escassez que a falta do necessário. Na linguagem vulgar, no entanto, dizemos pobre por mendigo, como já vimos em outro grupo.

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MERCADORIA, mercancia. – Mercancia é propriamente “a arte ou o trato de mercar, ou a profissão de mercado