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deliberação, com reta intenção, e segundo a prudência, não deve inquietar-se a respeito do bom ou mau sucesso das suas ações. A indecisão, bem como a incerteza, supõe poucas luzes, ou desconfiança delas. A irresolução supõe fraqueza, ou pouca energia de ânimo, falta de coragem. A perplexidade supõe de mais o receio do futuro”.

7G3
INDELÉVEL, inapagável, inalterável, fixo, inextinguível. – O que é indelével (de in e delebilis, de delere “apagar”, “destruir”) não desaparece. O que se não apaga, ou não pode apagar, é inapagável. Como só se apaga, no sentido próprio, borrando ou cobrindo com outra cor, ou extinguindo a cor que a coisa tinha, segue-se que de um sinal ou mancha numa tela, ou de um vestígio de tinta numa roupa, não seria próprio dizer inapagável, mas indelével. Uma inscrição, por exemplo, que se não pudesse apagar com uma esponja, seria inapagável; e seria indelével se o tempo ou a ação das intempéries não pudesse fazê-la desaparecer. – Há ainda entre inapagável e os demais deste grupo uma diferença essencial – a que consiste em só poder inapagável aplicar-se à própria coisa que não é possível ou fácil apagar. Dizemos – tinta indelével, inalterável, fixa, inextinguível (e não – inapagável). – Fixo é o que permanece, que não muda, não varia. – Inalterável acrescenta à noção de fixo uma ideia de perfeita igualdade, no ponto de vista sob que se considera a coisa de que se trata. – Inextinguível é o que se não pode extinguir, isto é, fazer que desapareça, que deixe de existir, de qualquer modo. Por isso, inextinguível é o mais extenso de todos os vocábulos do grupo; e melhor do que todos, ou quase todos, pode ser aplicado no sentido moral.

7G4
INDIFERENÇA, insensibilidade, indolência, apatia, impassibilidade, inexcitabilidade. – Segundo Roq.: – Apatia é palavra grega formada de a privativo, e pathos, “paixão” (sentimento), vindo a significar, portanto, privação de toda paixão, carência de paixão. A apatia é geralmente o resultado natural do temperamento e da organização, e se estende às qualidades da alma. Por isso é que do apático se diz que não tem paixão por coisa alguma e nada o estimula. A palavra insensibilidade não supõe nem tanta extensão, nem tanta indiferença, nem depende tanto da natureza do ser como a apatia; pois podemos ser insensíveis a uma coisa e não a outra. Raro é que a insensibilidade seja geral e absoluta. Um homem pode ser insensível ao amor, por seu temperamento ou caráter, e não o ser à honra. Na apatia acha-se a alma inativa, carece de ação e de estímulo; na insensibilidade está impassível. O homem de boa vida e honrado pode ser insensível aos prazeres, e a tudo que conduz ao vício; mas é mui sensível à virtude e ao exercício de quanto pertence à beneficência com seus semelhantes. A indiferença nem sempre é inativa; porque, ainda que o estado da alma seja o sossego, nem por isso se nega a razão. Não tendo interesse nem inclinação a nenhuma coisa, segue o indiferente de ordinário o impulso que outros lhe dão, e por