(TXT sem título) https://silviolobo.com.br/dominiopublico/txt/parte_690193e58c6b41.75067429_501.txt o petisco. – Guisado só se aplica a certos manjares preparados de carne. – Os outros vocábulos do grupo, formados de guloso, designam doce, manjar delicado e leve, que só é saboroso e não nutriente – tudo o que se chama lambiscaria. – Gulosice e gulodice exprimem também o vício do guloso, ou da gula. 784 IMAGINAÇÃO (imaginativa, inventiva), fantasia. – Imaginação é propriamente a imaginativa em ação. – Esta – a imaginativa – é a nossa faculdade de imaginar, isto é, de criar, de compor ou combinar coisas, fenômenos, fatos reais, mas segundo o nosso modo de ver, ou na ordem ou disposição particular ou pessoal que lhes damos. Em regra, toda obra de arte alguma coisa tem de imaginação: a grande faculdade dos artistas sendo, portanto, a imaginativa. Confunde- -se esta com a inventiva, e, em geral, seria muito difícil distingui-las por uma diferença apreciável. Deve notar-se apenas que inventiva é vocábulo muito mais extenso e complexo que o outro. Dizemos, por exemplo, com muito mais propriedade – “a inventiva grega” – do que – “imaginativa grega”. – Inventiva designa, pois, toda a faculdade criadora do homem ou de uma raça em toda esfera de atividade ou de esforço. – Entre imaginação e fantasia só se deve notar a distinção (que é, aliás, bem pouco perceptível em muitos casos) que consiste em ser a fantasia uma faculdade mais livre ainda, e mais pessoal se é possível, que a imaginação. A fantasia não se limita a criar valendo-se de elementos hauridos na natureza: cria livremente, segundo os caprichos de quem a exercita. No Inferno, do Dante, ou no Paraíso Perdido, de Milton, ou no Orlando Furioso, de Ariosto, não seria fácil distinguir o que é imaginação do que é pura fantasia. 785 IMOLAR, sacrificar; imolação, sacrifício, holocausto. – Sacrificar “significa propriamente tornar sagrado; privar-se de uma coisa para a consagrar à Divindade; dá-la inteiramente, sem nenhuma reserva, de modo que fique perdida para quem a possuía, que fique transformada. – Imolar significa fazer um sacrifício sanguinolento, degolar uma vítima, destruir o que se oferta. Sacrifica-se toda sorte de objetos; imolam-se vítimas, seres viventes, animados. O sacrifício tem por fim prestar veneração; a imolação tem por fim aplacar. A ideia de sacrificar é mais vaga e mais extensa; a de imolar é mais enérgica e mais limitada”. – Holocausto era, entre os hebreus, o sacrifício em que a vítima não só se imolava, mas se consumia inteiramente pelo fogo. O holocausto é, portanto, um sacrifício completo, em que a vítima se destrói e desaparece, ou deixa de ser o que era. 78G IMPALPÁVEL, intangível, intáctil. – Impalpável é o que é tão subtil que se não pode palpar, isto é, sentir com as mãos. – Intangível é o que se não pode tocar por ser imaterial. Dir-se-á que intáctil diz a mesma coisa; mas entre intáctil e intangível há uma distinção essencial e absoluta. O primeiro, intáctil, exprime propriamente “inacessível ao tato”, ou “que escapa ao sentido do tato”; e só se aplica no sentido