(TXT sem título) https://silviolobo.com.br/dominiopublico/txt/parte_690193e58c6b41.75067429_492.txt iferentes graduações. Assim, quando dizemos, v. g., que tal sujeito é muito rico, mas que tal outro é riquíssimo, deve entender-se que nesta segunda expressão supomos a qualidade de rico em mais alto grau que na primeira, significando tanto como se disséramos mais que muito, ou mui muito, ou muito muito rico. Da mesma sorte se devem entender as expressões muito douto, doutíssimo; muito hábil, habilíssimo; muito excelente, excelentíssimo, e todas as outras semelhantes, de que abunda o nosso idioma”. havia dito o acadêmico Francisco Diaz, que só desde o século XV foram adotados pelos nossos escritores os superlativos de uma só forma em íssimo, imitando o latim. Não é inteiramente exata esta asserção, como já notamos em o Leal Conselheiro, p. 213, edição de Paris. El-Rei d. Duarte chama aos senhores, ou príncipes ilustríssimos e sereníssimos. Nas cortes de Évora, de 1481, encontram-se os superlativos santíssimo, cristianíssimo, grandíssimo, etc. É, contudo, certo que este uso não era regular, nem muito geral, e que se usava mui frequentemente da grosseira forma mui muito, ou muito muito, em vez do superlativo muitíssimo. Da introdução desta forma resultou, não uma estéril abundância de expressões perfeitamente sinônimas, senão uma gradação mais ampla, ou para melhor dizer, mais um grau na escala qualificativa dos objetos. Assim que, muito grande é mais que grande; porém grandíssimo é mais que muito grande. A mesma diferença se dá entre muito rico e riquíssimo, muito douto e doutíssimo, etc. 771 GRANJA, quinta, chácara, casa de campo, sítio, fazenda. – Quanto às duas primeiras: “Ainda que estas palavras se refiram a uma ideia comum, há entre elas grande diferença. – Granja significa herdade ou prédio rústico, que se cultiva para lucrar em seus frutos. – Quinta significa um prédio rústico, mas de recreio, e até de luxo, de que seu dono se contentava antigamente de tirar só a quinta parte do respetivo produto, como um conhecimento de propriedade e domínio, deixando tudo o mais para aumentar os ornatos que recreiam o ânimo. As grandes propriedades rurais do Alentejo são verdadeiras granjas; nos arredores de Lisboa, e em Cintra há muitas e belas quintas. De todas, a mais notável é aquela onde se retirava d. João de Castro depois de suas proezas militares, não para satisfazer interesses mate- riais, senão por desejar viver para si mesmo, havendo-se inutilizado no serviço da pátria de maneira que nem o desamparava como inútil, nem o buscava como ambicioso. É mais provável que d. João de Castro cortara as árvores frutíferas e plantara árvores silvestres e estéreis mais pela razão acima dada, de que a sua fazenda era, não uma granja, senão uma quinta do que o fizera – quiçá mostrando que servia tão desinteressado que nem da terra que agricultava esperava paga do benefício, como diz o autor de sua Vida”. – No Brasil, são pouco usadas estas duas palavras; em vez das quais temos: fazenda ou sítio com a significação de granja; e casa de campo ou chácara em