(TXT sem título) https://silviolobo.com.br/dominiopublico/txt/parte_690193e58c6b41.75067429_472.txt é favorável; o destino, ou o céu nos é propício. Pede um cliente a um patrono que lhe seja favorável; o pecador pede a Deus que lhe seja propício. – Favorável dizemos propriamente das coisas, das circunstâncias, do que é simplesmente auxiliar; e propício, daquilo que só por si determina o sucesso, – de Deus, da fortuna, de um gênio, de um rei... – Próspero, do latim prosperus, que significa também “feliz”, quase que é só usado em poesia e em alto estilo. Além disso, diversamente de favorável e de propício, não se refere próspero jamais a um mal a evitar, ou que se evita; mas indica sempre um acontecimento feliz. Quem conta sempre com coisas favoráveis ou propícias escapa aos inconvenientes, aos embaraços, aos perigos, às desgraças de todo gênero; quem conta com todas as coisas prósperas não experimenta senão felicidade. Além de tudo, próspero é raramente sinônimo das outras palavras deste artigo, porque de ordinário é relativo ao efeito e não à causa. Dizemos propriamente – uma ocasião favorável ou propícia (Acad.), e – um sucesso próspero (Corn., Mol.). O que nos é favorável ou propício ajudanos, secunda-nos... O que nos é próspero é alguma coisa para nós de bom, de vantajoso... – Benigno usa-se pouco ou raramente com a significação que tem neste grupo. Parece este termo recordar a astrologia judiciária, e serve para designar as influências do sol, dos astros, dos elementos. “Amável planta, árvore querida daquele que a fecunda com seus olhares favoráveis, como um sol benfazejo; crescei à sombra de sua bondade, e abrivos a suas benignas influências (Boss.)”. 744 FAVORITO, valido, privado, predileto, preferido, mimoso (mimo). – Dos três primeiros diz Roq.: “Estas três espécies de indivíduos têm grande entrada com os príncipes e senhores, e recebem facilmente suas graças e favores; mas cada um deles por diferente modo, e com diversas relações”. Favorito é o mimoso a quem se favorece (especialmente) a quem se ama com preferência; recebe os favores do poderoso, talvez servindo-lhe as paixões, mas não lhe dá conselhos nem o domina, antes recebe seus mandados e lhe obedece. É um ente passivo, e em geral pouco estimado. – Valido é o que tem valimento junto do príncipe, e que, aparentando humildade para com ele, o domina com astúcia em proveito de sua ambição. – Privado é o que priva com o príncipe, vive com ele como em vida privada, goza de sua privança e conversação familiar; mas nem o serve baixamente como o favorito, nem busca dominá-lo em proveito próprio como o valido. Antigamente a palavra privado designava um cargo muito honroso junto de nossos reis, ou uma ocupação como de ministro do despacho, e não valimento; era o adjetivo latino privatus substantivado, referindo-se a conselheiro, consiliarius privatus. Fernão Lopes menciona vários privados de el-rei d. Pedro I; d. João Afonso Telo, conde de Barcelos, era o maior privado de el-rei d. Fernando; Diego Lopes Pacheco era também muito privado. O célebre João das Regras foi privado de el-rei d.