(TXT sem título) https://silviolobo.com.br/dominiopublico/txt/parte_690193e58c6b41.75067429_476.txt ui afortunado nas coisas do mundo, depois de ter vivido ditoso ou feliz neste mundo, serei bem-aventurado na eternidade. Em outro artigo, tratando de feliz e afortunado, escreve o mesmo autor: “Estas duas palavras têm relação com os bens e as vantagens que desfrutam os homens, e com a satisfação que experimentam no gozo destes bens. O homem que possua grandes cabedais, belas herdades e todos os cômodos da vida, é rico e abastado; mas só será feliz quando seu ânimo não estiver contristado, e o sossego da alma acompanhar as delícias da prosperidade”. – Afortunada pode ser uma pessoa que, sendo pobre, tenha à medida de seus desejos tudo que empreende. – Afortunado significa “favorecido da fortuna”; feliz significa “que goza da felicidade, ou de uma felicidade”. Uma pessoa é afortunada por seus muitos bens, por seus completos prazeres, pelos grandes favores que recebeu da fortuna; é feliz pela satisfação, contentamento e tranquilidade do ânimo. – Afortunado supõe uma felicidade extraordinária. Diz-se que um homem é feliz quando experimenta um prazer muito vivo; mas, como os prazeres duram pouco, cansam o espírito, e às vezes degradam o corpo, têm lidado em vão os filósofos por saber em que consiste a verdadeira felicidade. (S. Agostinho, na Cidade de Deus, contou 288 opiniões diferentes, acerca da felicidade, cap. 20). Um antigo dizia que “a felicidade consistia em ter o corpo são, e a alma livre”; e um moderno sustentou que a felicidade possível ao homem consistia: “no trabalho, que é a vida do corpo; na luz, ou na cultura do espírito, que é a vida da inteligência; e na caridade, que é a vida do coração”. O mais seguro é crer que a verdadeira felicidade não se encontra nos bens desta vida, senão na bem-aventurança eterna; pois, como disse Vieira, “tudo que é terra é desterro, e só o Céu, para que fomos criados, é a nossa verdadeira e bem-aventurada pátria” (VI, 289). – Quanto a ditoso e feliz, que Roq. não distingue, vale a pena ver o que escreveu S. Luiz: “Ditoso é, segundo a força etimológica do vocábulo, aquele que goza de muitos bens e riquezas. – Feliz é o que goza de felicidade; e nós dizemos que goza de felicidade (e é feliz, portanto) o homem que vive tranquilo e satisfeito na pacífica fruição dos bens que bastam aos seus desejos. Assim, tomando estes vocábulos em todo o rigor e propriedade das suas significações, pode o homem ser afortunado e ditoso, sem ser feliz: e pode ser feliz no meio da desdita e do infortúnio. O ambicioso, por exemplo, que chega a conseguir o objeto de seus vastos pensamentos e desejos; que pode suplantar os seus competidores na carreira das honras; que subindo, por favor da fortuna, até o cume da humana grandeza, avassala e subjuga reinos e impérios, vê ante si ajoelhados os outros homens; este ambicioso, digo, é sem dúvida afortunado; mas pode não ser feliz, e por certo que a felicidade raras vezes se encontra acompanhada de tanto aparato. Pelo contrário, o homem modesto, que ama a verdade e a virtude; que sabe