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e segura da realidade, chama-se confiança que vem da palavra latina fidutia, fidentia, confidentia, a que os nossos antigos chamavam fiuza. A esperança refere-se a sucessos ou fatos que hão de acontecer, ou que podem acontecer; a confiança, aos meios por que se hão de conseguir ou executar. Confio, ou tenho confiança nas minhas riquezas, por meio das quais espero ou tenho esperança de lograr o que desejo. O homem que tem grande confiança em Deus, e se ajuda de boas obras, espera por elas ganhar a salvação eterna. – É preciso distinguir as frases estar com esperanças, e estar de esperanças. A primeira significa – ter esperança de obter alguma coisa boa, agradável. Só está de esperanças a mulher grávida, que espera ter o seu bom

sucesso. – Quando a confiança se funda em crença, em convicção, chama-se fé. A própria fé religiosa não é senão a confiança profunda que se tem numa grande verdade que se nos revelou, ou que nos é inspirada pelo poder de Deus. Temos fé no futuro, num amigo, no trabalho, na virtude, etc.

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ESPIA, espião, vigia, sentinela, atalaia. – Segundo S. Luiz, vigia “exprime genericamente o que está desperto, com os olhos abertos e atentos, para ver e notar o que se passa. – Sentinela quer dizer vigia militar: é o soldado que está de vigia em algum posto. – Atalaia é propriamente vigia ou sentinela posta em lugar alto, de onde possa ver ao longe e descobrir o campo. – Espia é o que segue esta ou aquela pessoa para observar de perto os seus passos, movimentos, palavras, etc.; ou também o que anda por aqui, e por ali, espreitando e observando com solapada cautela o que se faz ou o que se diz. O pai deve ser vigia cuidadoso de seus filhos; o superior, dos seus súbditos; o pastor, do seu rebanho. A sentinela e a atalaia cumprem um dever militar, e são responsáveis pelas consequências do seu descuido. O espia é, as mais das vezes, “um homem de baixos sentimentos, que ou por curiosidade criminosa, ou por sórdidos interesses, ou por algum outro semelhante motivo, anda observando as ações, palavras e gestos de outros, encobrindo, com disfarce, o seu verdadeiro intento, e talvez sob capa de amizade, para depois os entregar aos seus inimigos”. – Entende Bruns., e com muita razão, que conviria reservar o vocábulo espião para designar “o indivíduo pago por outrem para ver e observar o que se passa e vir dar conta do que vê e observa; pois espia, e não espião, se diz do indivíduo que por sua própria conta, às escondidas ou disfarçadamente, observa o que se passa”.

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ESPIAR, espionar, espreitar. – Da diferença notada entre espia e espião provém a diferença que se deve notar entre espiar e espionar. Quem espia procura ver e observar disfarçadamente para proveito próprio, ou para algum fim, que lhe interesse. Quem espiona faz o papel de espião, procura ver e ouvir, espia por incumbência de outrem, por paga ou por ofício. – Entre espiar e espreitar nota-se a diferença que consiste em espiar dizer apenas que se procura seguir para observar, sem