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ua em corpo sólido, começando por formar uma côdea semelhante a uma lâmina de cristal, até que toda ela se converte numa massa como vitrificada; e a este corpo sólido e frio dá-se o nome de gelo, a que os franceses chamam

glace, e os espanhóis hielo. Quando as gotas de chuva passam por frias regiões, gelam-se antes de cair, e formam o que chamamos saraiva, a que também se chama granizo porque tem a forma de grãozinhos ou confeitinhos; assim lhe chamam igualmente os espanhóis, dando-lhe os franceses o nome de grêle, que é o grisil céltico, e o grando dos latinos. Quando esta chuva gelada é mui grossa, e como pedrinhas, chama-se-lhe com razão chuva de pedra; e quando esta pedra é miúda, porém esquinada como as pedras de sal, chama-se-lhe pedrisco. A reunião de uns gelos extraordinariamente finos, formados pela frialdade da atmosfera no momento de sua condensação, e antes que as partículas aquosas tenham podido reunir-se em gotas, é a neve. Estes pequeninos gelos, deixando entre si algum espaço, formam flocos mui ligeiros que, pela sua transparência, apresentam uma brancura formosa que deslumbra os olhos. Finalmente, caramelo é a neve congelada, ou o gelo grosso na superfície das águas, dos rios, etc. – Dá-se o nome de carambina ao gelo pendente das árvores, dos muros, dos penhascos, etc.; e o de sincelos ao gelo pendente dos beirais dos telhados.
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ESCORREGAR, resvalar, deslizar. – Escorregar é ser deslocado pelo próprio peso, ou mover-se mais ou menos rapidamente sobre uma superfície lisa. – Resvalar é “perder o equilíbrio e cair ou descer escorregando, ou rolando”. Tanto resvalar como escorregar têm sido empregados por bons escritores como significando deslizar; mas este verbo não sugere como aqueles a ideia da rapidez da deslocação, nem propriamente a de desequilíbrio. – Deslizar é escorregar de leve, pouco a pouco, suavemente; mover-se em

mesmo travado, foi deslizando sobre o asfalto até encontrar o muro. A lágrima que resvala cai dos olhos; a que escorrega desce rapidamente pela face; a que desliza vem descendo lentamente.

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ESCURO, obscuro, sombrio, tenebroso, caliginoso. – Diz Roq. muito bem destes vocábulos: Todos exprimem falta de luz em corpos ou lugares, mas com diferente grau, ou a diversos respeitos. No que é escuro falta a luz ordinária, mas resta ainda alguma claridade. Dia escuro é o em que se não vê o sol, que está coberto, anuviado, mas em que se vê o suficiente para se distinguir os objetos. No que é obscuro falta a claridade indispensável; é o escuro cerrado, ou carregado. Dia obscuro é o em que há névoa espessa, que impede ver os objetos, a não ser muito de perto. No sombrio falta a plenitude do dia. Um bosque é sombrio quando a espessura do arvoredo impede que nele penetre toda a luz do dia, e não dá passo senão a débeis reflexos. O que é tenebroso carece de toda luz. O inferno é tenebroso porque não penetra ali nenhuma luz. – Caliginoso é palavra poética e latina (caliginosus) e exprime não só o último grau de escuri