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ação dirigem-se essencialmente a um mesmo fim, que é a perfeição moral do homem; pode dizer-se, porém, que a pri-

meira o desbasta, e a segunda o pule por meio da instrução. Assim é que, o principal defeito de quem não tem criação é a grosseria; de quem não tem educação é a ignorância. – As outras do grupo são palavras modernas muito usadas, que porventura se confundem, mas que são diferentes. Consiste a diferença, que se lhes nota, em que a instrução se refere a uma ideia motriz (a trabalho, processo, esforço); a ilustração é seu efeito imediato: e a civilização é o resultado das duas. O homem é naturalmente ignorante; necessita instruir-se para sair desse estado. Uma vez instruído, adquiriu ilustração; e uma vez ilustrado, contribui para a civilização, que não é outra coisa mais que a soma de instrução e de ilustração aplicada às necessidades sociais.

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EFETUAR, realizar, fazer, executar. – Segundo Lac. – fazer é produzir qualquer ação, física ou moral. A significação desta palavra é genérica, e representa a ação não limitada por nenhuma relação direta ou indireta. Realizar é fazer que se torne real uma coisa que por qualquer motivo esperamos que venha a suceder. Efetuar (ou efeituar) é fazer, tornar em fato positivo, real, o que não era senão simples promessa ou esperança. Executar é fazer, tornar existente o que não era senão projeto ou plano; e por isso, executar designa uma ação relativa a outra ação anterior. Fazemos uma casa, um livro, uma obra de caridade, uma desfeita, etc., etc. (sendo este um dos verbos de predicação mais vaga da língua). Realizamos um ideal, um desejo; uma festa, uma viagem (qualquer coisa que aspirávamos ou que tínhamos planeado). Efetuamos um negócio, um acordo (qualquer coisa que tínhamos tratado ou combinado). Executamos uma ordem, um plano, etc. (isto é – pusemos em prática o que não era mais que projeto, ordem, disposição, etc.).

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EFÍGIE, retrato, cópia, fotografia, imagem, figura. – Todas estas palavras designam a representação de pessoas ou de coisas, mas de maneira diferente. – A efígie – diz Roq. – ocupa o lugar da própria pessoa, pois a representa qual é, real e verdadeira; e assim se diz de um crucifixo – a sagrada efígie de Cristo. A imagem só representa a ideia de uma pessoa ou coisa. Tanto à efígie como à imagem não é essencial uma fidelidade absoluta, ou sequer mais ou menos perfeita ao original. Dizemos por isso – a imagem de um santo; a efígie de um condenado: tanto a imagem como a efígie podem não ser o retrato fiel do santo, ou do condenado. O retrato é a representação de uma pessoa, e enuncia principalmente a ideia da semelhança com o original. – De imagem e retrato, diz Laf. em uma nota à p. 677: “Imagem e retrato, em particular, tomam-se em uma acepção figurada por espécie de descrição oratória ou poética. Mas a imagem serve para descrever, ou melhor – é como a descrição de coisas ou fatos; e retrato é a pintura das pessoas, quer no sentido moral, quer no físico”. “A descrição da temp