(TXT sem título) https://silviolobo.com.br/dominiopublico/txt/parte_690193e58c6b41.75067429_447.txt Inebriado também se emprega por ébrio. Convém, no entanto, não esquecer que inebriado exprime com mais propriedade um estado momentâneo de ebriedade. Além disso, inebriado não se pode substantivar como ébrio. – Bêbado, embriagado, embebedado são suscetíveis também de translação, por meio de adjuntos. – Embriagado é apenas uma forma popular de inebriado, podendo em qualquer caso ser um substituído pelo outro no sentido translato. Bêbado, ou bêbedo, como é preferível, significa “estonteado”: por efeito de álcool, no sentido natural; ou por outra causa qualquer, no sentido figurado. Bêbedo de luz, de perfumes. Bêbedo, sem adjunto, só diz – “tomado de bebida alcoólica”. Embebedado designa o estado atual, momentâneo, do que bebeu. – Temulento diz também – “que bebeu em excesso”; e ainda se aplica este vocábulo para designar a casa, a festa em que se passa bebendo: temulentas orgias; temulentos domínios de Baco. – Os demais vocábulos do grupo são todos grosseiros, e não se aplicam senão para designar “bêbado” no sentido natural. – Borracho e emborrachado parecem indicar o último grau do vício de beber. Os outros designam a bebida que foi causa da embriaguez: – avinhado – o que se embriagou com vinho; aguardentado, com aguardente; – encachaçado, com cachaça. – Alcoolizado é genérico: designa – “que se embriagou com qualquer bebida alcoólica”. GGG EÇA, cenotáfio, catafalco. – Eça e catafalco só se diferençam em ser o catafalco uma eça mais sumptuosa: e em designar também a eça a banqueta ou estrado onde se descansa a tumba, ou onde assenta o sarcófago nas grandes solenidades fúnebres. O catafalco é como um monumento levantado no meio do templo em honra do morto cujas exéquias se celebram. Cenotáfio, como diz a própria formação do vocábulo (do grego kenos “vazio”, e taphos “túmulo”), é também o monumento que se levanta em honra do morto por ocasião de alguma grande cerimônia; e a distinção entre cenotáfio e catafalco só consiste em que no catafalco pode achar-se ou não o cadáver – o que nunca se dá quanto ao cenotáfio, que é apenas uma representação da eça e da própria urna funerária. GG7 ÉCLOGA, pastoral (poesia pastoril), idílio, bucólica. – Lacerda resumiu assim o que escreveu Roq. sobre estas palavras: “Todos estes vocábulos designam poesias pastoris. Diferençam-se do seguinte modo. Pastoral (= poesia pastoril) é o gênero; écloga (ou égloga), idílio e bucólica são as espécies. Pastoral designa qualquer descrição ou imitação de algum passo ou quadro da vida campestre, representada debaixo do seu aspeto mais agradável. Écloga, ou égloga é uma espécie de poema pastoril em forma dramática, e dialogado, no qual pastores falam ordinariamente dos seus amo- res, e tiram as comparações e adornos com que enfeitam os seus discursos dos objetos que particularmente se referem aos trabalhos em que se ocupam, etc. Idílio é uma espécie de poema pastoril mais simples do que a écloga, porque não se requer nele tanto movimento; mas, por outra parte, exige-se no id