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rdinariamente é a divisa acompanhada de uma letra, ou mote, e algumas vezes só a letra ou mote constitui a divisa. O pelicano tirando o sangue do próprio peito para alimentar os seus filhinhos, com a letra – pela lei, e pela grei – era a divisa de D. João II. A esfera acompanhada do mote – talent de bien faire – era a divisa do ilustre Infante D. Henrique. O príncipe Eugenio tomou para divisa uma águia com esta letra – natus ad sublumia. – Empresa é a representação emblemática das façanhas, ou virtudes heroicas dos varões ilustres. Uma série de empresas, alusivas às ações grandes de um homem ilustre, compõem a sua história. – Tenção é uma divisa alusiva ao pensamento, ou desejo, que alguma pessoa tem, de empreender feitos altos e gloriosos”. – Insígnia é o emblema, ou o sinal que representa a dignidade, a hierarquia, ou as funções; e que se supõe sempre alçada para ser vista, como sugere Camões nestes versos:

No trajo a grega usança está perfeita, Um ramo por insignia na direita.
(Lus., VII, 75)
– Distintivo é o “sinal próprio que distingue alguma pessoa, seita ou corporação”. Ele traz ao peito o distintivo do clube. – Lema é a letra ou a sentença que serve de divisa a um partido, a um sistema, a um povo. O lema dos Inconfidentes de Minas
– Libertas qua sera tamen. O lema Ordem e pro-

gresso da nossa bandeira. – Signo e sinal só poderiam distinguir-se pela propriedade com que o primeiro marca ou exprime um caráter, ou uma qualidade permanente ou mais da natureza própria da coisa ou pessoa que se distingue. Ela tem na fronte aberta e majestosa um signo de excelência divina. Vejo nos ares uns sinais de tormenta. Vimos no alto do monte o sinal convencionado. – Brasão – define Aul. – “distintivo e insígnias de famílias nobres, ou de pessoas a quem é conferido por merecimentos distintos e altos feitos”. Propriamente, o brasão representa as tradições das grandes famílias; como faz Bocage sentir nestes versos:
Vêm de heróes, quais não viu Cartago
                      [ou Roma, De seus avós, andantes cavaleiros,
A chusma de brazões não cabe em soma.

G88
DÓCIL, obediente, manso, pacífico, brando, submisso, flexível, doce, tratável, macio, meigo, suave; docilidade, obediência, mansidão, brandura, submissão, flexibilidade, doçura, macieza, meiguice, suavidade. – É dócil o ânimo que facilmente se afaz ao que é necessário. A docilidade é uma qualidade moral, que corresponde à doçura como qualidade física. Dizemos que o açúcar é doce; ou – a doçura do açúcar (e não – dócil; nem – docilidade). Por outro lado, dizemos: menino dócil; ou – a docilidade do menino (e não – doce; nem – doçura). Dizemos ainda: doces palavras (e não – dóceis); doçura de voz (e não – docilidade). Em suma: doce e doçura aplicam-se, tanto no sentido concreto como no abstrato; dócil e docilidade, só no abstrato, isto é, como indicando qualidade moral. – Obediente (latim obediens, entis, de obedire = ob + audire) é o que se faz dócil, solícito em atender ao que se lhe ordena. A obediênc