(TXT sem título) https://silviolobo.com.br/dominiopublico/txt/parte_690193e58c6b41.75067429_434.txt so no falar, que tem boa elocução. Distingue-se de eloquente em que esta palavra se refere quase sempre à eloquência considerada como arte, e aquela ao dom de bem-falar de que a natureza dotou a muitos homens, podendo citar-se com particularidade Ulisses, que por isso tem o epíteto de facundo. A diferença que fazemos entre eloquente e facundo parece autorizar-se com aquele lugar de Suetônio: Eloquentiœ, attendit Caius, quantumvis facundus, “Caio aplicou-se à eloquência, posto que fosse facundo (In vitâ, 53). Camões sentiu bem a diferença que vai de elegante a facundo, naqueles formosos versos em que fala de d. Nuno Álvares Pereira: A’quelas duvidosas gentes disse. Com palavras mais duras que elegantes, A mão na espada, irado, e não facundo, Ameaçando a terra, o mar e o mundo. (Lus., IV, 14) – Diserto é palavra latina disertus, mui apropriada para designar certo grau mais perfeito de elegância, que não é facúndia nem eloquência. O que é elegância do estilo junta a propriedade dos termos e a variedade das expressões, e sabe disseminar os ornatos com acerto e simetria – esse será diserto; tal é a ideia que dele nos dá Varrão, dizendo: Ut ositor disserit in areas cujusque generis fructus, sic in oratione qui facit, disertus; “Assim como o hortelão semeia hortaliças e legumes em seus canteiros segundo suas espécies, de igual modo faz na oração o diserto”. O ser diserto é qualidade muito apreciável em quem escreve tratados didáticos e filosóficos. Cícero, elegante em suas epístolas, eloquente em suas orações, é diserto em seus tratados filosóficos; Vieira, sempre elegante em suas cartas, e por vezes eloquente em seus sermões, é diserto em seus Papéis pragmáticos”. – É claro o “que se torna fácil de entender”. É expressivo o “que está formulado pelos termos próprios”. É brilhante o “que reúne as condições do expressivo, claro, radioso”. Dicção clara, ideias claras. Forma expressiva. Estilo brilhante. G82 DISPENDIOSO, custoso, caro. – Dispendioso dizemos do que “importa em muito, em grande despesa”. – Custoso, do que é “difícil pelo custo exagerado”. – Caro, do “que tem preço acima do real valor”. O que é dispendioso pode não ser caro; e nem sempre o caro será dispendioso. O mesmo se pode dizer de custoso e caro. Um livro do preço de dois mil-réis, e pelo qual nos pedem três – é caro; mas não é custoso. Um terno de casaca muito fino vale quatrocentos, quinhentos mil-réis: custa muito, é custoso; mas não será caro (desde que o preço ou o custo não está acima do valor). Uma longa viagem pela Europa será dispendiosa. Só será custosa conforme as condições do viajante. G83 DISPENSA, licença, escusa, isenção (exenção), imunidade, liberdade, direito, regalia, prerrogativa, privilégio, franquia. – De alguns destes vocábulos tratam Bourg. e Berg. nestes termos: – “A liberdade é o direito de se determinar e de agir segundo a própria vontade; esta palavra exprime um poder positivo, concernente à própria pessoa, e indicando que ela é senhora de fazer e de deci