(TXT sem título) https://silviolobo.com.br/dominiopublico/txt/parte_690193e58c6b41.75067429_430.txt lfar, jorrar. – Muitos dos vocábulos aqui agrupados não são propriamente sinônimos, pelo menos em certas acepções: apenas aproximam-se, no sentido natural, pela ideia comum de sair, derivar-se, deixar a fonte. – Dos três primeiros, diz Bruns.: “Entre dimanar e emanar nota-se a mesma diferença que existe entre, por exemplo, dilucidar e elucidar: dimanar sendo uma atenuação de emanar, como este o é de manar. Manar se diz do que brota perene e abundantemente; emanar, do que vem com força; e, figuradamente, do que sai ou se deriva direta ou imediatamente de alguma causa poderosa; e dimanar do que brota serenamente; e, no sentido figurado, do que deriva mediatamente de algo. Manam os rios das fontes; emanam dos pântanos os miasmas deletérios; dimana o sangue do coração. É da doutrina católica que o poder de ligar e desligar dimana, nos sacerdotes, e emana, no papa, do próprio Deus”. – Quanto a alguns outros do grupo, eis o que escreve fr. S. Luiz: “Empregamos estes vocábulos (manar, estilar, pingar, gotejar) para exprimir a ação com que um líquido sai, ou é lançado de um vaso ou corpo que o contém, e nisto são sinônimos; mas têm entre si diferenças mui características. Dizemos que um líquido mana do vaso, quando sai dele em fio, ainda que seja lentamente; que o corpo estila o líquido, quando deita fora, às gotas, o mais fino, o mais apurado dele; que o líquido pinga de um corpo, ou que o corpo pinga o líquido, quando este cai de cima gota a gota; e, finalmente, que o corpo goteja, quando dele caem gotas amiudadas. Mana a água da penha; o rio da fonte; o sangue da ferida; manam as riquezas e bens do céu sobre a terra, etc. Os olhos estilam lágrimas; e também se diz que deles manam lágrimas, quando estas correm como em fio, em maior abundância; algumas árvores estilam o humor de que se formam as gomas; “os lábios da mulher estilam doçura” (diz Arraez), etc. Pinga do telhado a água da chuva; pinga o vinho da cuba; pinga gordura das carnes assadas, etc. A espada goteja sangue; o telhado goteja água, que por tempo arruína as paredes; gotejam os vestidos do naufragante; “gotejam as tranças das ninfas do mar” (Camões) etc. – Os verbos fluir, efluir e defluir enunciam também a ideia de “manar, sair, correr, estilar”; e só existe entre eles a diferença marcada pela prefixação dos dois últimos. O que flui deriva-se, corre, mana, sem ideia alguma acessória, principalmente quanto à direção que toma aquilo que flui. O que eflui emana, destila, como se irradiasse para todos os lados. O que deflui dimana, decorre, de um lugar determinado para certo outro lugar, e como se viesse do alto. “Flui-lhe dos lábios aquele doce mel de voz divina; eflui-lhe da fronte serena uma luz maravilhosa; deflui-lhe dos olhos um fulgor que nos cega”... – Entre correr e escorrer só há a diferença que consiste em dar o segundo desses verbos a ideia de que há uma causa atual, positiva, que faz correr. Corre o rio (não – escorre); escorre o sangue da ferida que se espreme. – Os verbos e