(TXT sem título) https://silviolobo.com.br/dominiopublico/txt/parte_690193e58c6b41.75067429_421.txt alquer sujeição às regras gerais que a singularizam. Assim é que no idioma português cabem expressões particulares que a língua portuguesa não admite, expressões que, conquanto tenham o cunho nacional, carecem do quilate necessário para se considerarem como de lei. O idioma trasmontano tem particularidades que são realmente merecedoras de estudo. (Deste termo diz ainda um outro autor que “se aplica também, com um certo ar de desprezo, às línguas que não têm um domínio extenso, um grande círculo de ação; que se não tornaram línguas literárias, sobretudo ao compará-las com línguas mais perfeitas: os idiomas bárbaros introduziram certas palavras no grego e no latim. Emprega-se especialmente idioma falando das línguas de tribos pouco civilizadas e que quase não são usadas fora do território dessas tribos: os idiomas das hordas da Guiné, dos selvagens da Polinésia; de todos os idiomas da Itália central, o do Lácio é o único que se tornou uma língua”. Bourg. e Berg.) – Dialecto é uma língua de pouca extensão, derivada de uma língua principal, mas diferente desta nas flexões e em várias outras particularidades... Um dialecto propriamente dito é uma derivação de uma língua principal, mas derivação que carece de estabilidade (e de fixidez) pois, entre os povos que falam um mesmo dialecto, encontram-se, não só variedades de pronúncia, como diferença de vocábulos: o que se pode ver, por exemplo, no dialecto galego, que não só varia de pronúncia de uma para outra província, senão de comarca, e até às vezes de povoação para povoação; sem contar que no galego de Lugo há vocábulos desconhecidos na Corunha, como nesta os há desconhecidos em Orense e em Pontevedra. O dialecto asturiano oferece muito maior uniformidade que o galego, e não obstante nota-se diferença sensível entre o que se ouve em Castropol, perto da Galiza, e o que se prolonga até à região chamada Montanha de Santander. (Dialecto, diz Roq. que “significa linguagem particular de uma província, colônia ou cidade, derivada e alterada da língua geral de que procede, tanto na pronúncia, na acentuação, como nos acidentes gramaticais, etc.”. A língua grega tinha quatro principais dialectos – o ático, o dórico, o jônico, e o eólico, além de outros menos notáveis, a que se pode chamar subdialectos, como o beótico, o siracusano, o siríaco etc. Consiste o dialecto: 1.º no uso de palavras estranhas a outros dialectos; 2.° no uso de significações particulares a certos dialectos; 3.º na vária escritura das palavras, trocando, aumentando ou diminuindo as letras, ou invertendo a ordem das mesmas; 4.º na alteração das formas das palavras declináveis, já dando-lhes terminações diferentes do que se observa na língua comum, já classificando-as em diversa declinação ou conjugação; 5.° na sintaxe. O que aconteceu aos gregos, quanto aos dialectos, aconteceu a alguns povos da Alemanha, da Itália, das Espanhas, e também aos índios do Brasil, cuja língua geral, que se falava em quatrocentas léguas de costa, tinha diversos