(TXT sem título) https://silviolobo.com.br/dominiopublico/txt/parte_690193e58c6b41.75067429_422.txt dialectos, como observou o padre Vieira, que nos principais deles compôs catecismos para doutrinar os mesmos índios”.) – Linguagem é vocábulo muito mais extenso, mas por isso mesmo muito menos preciso que língua. Qualquer sistema de sinais que exprimem o pensamento é uma linguagem, quer obedeça esse sistema a regras determinadas, quer não: há linguagem falada, linguagem escrita, linguagem acionada (linguagem mímica). Aplica-se também esta palavra a seres alheios à humanidade; e até a objetos inanimados; e assim dizemos que os animais têm a sua linguagem; e também: a linguagem das flores, etc. Em sentido mais restrito, exprime esta palavra o modo como se serve da sua língua quem exerce uma profissão, e também como nela se exprime quem está dominado por uma paixão; é nesta acepção que se diz: linguagem técnica, linguagem médica; a linguagem da cólera, etc. – Jargão é a palavra adotada para exprimir uma ideia de coisa que não existe entre nós: aquilo a que os franceses dão o nome de patois... (Aliás, os franceses distinguem patois de jargon. O patois, segundo Bourg. e Berg., é um dialecto degenerado, que cessou de ser língua literária, se é que o foi, e que não mais é falado senão pelo baixo povo, em uma província, ou mesmo em um cantão, e que foi substituído, na boa sociedade, por uma outra língua, a língua oficial; é assim que tendo a cruzada contra os albigenses destruído a civilização da França meridional, a língua d’oc cessou de ser literária, e subdividiu-se numa multidão de patois locais, enquanto que a língua d’oil, falada pelos franceses do norte, se fazia a língua oficial e literária; tendo esta por seu lado recebido sua forma completa, os vários dialectos, que a tinham formado, degeneraram em patois (picardo, normando, borgonhês, etc.). O jargão (jargon), de jars, “pato”, é um modo de falar ininteligível, seja devido aos termos empregados, seja devido à maneira embrulhada, obscura, segundo a qual se dispõem expressões conhecidas, ou se apresentam ideias pouco claras. Por extensão, ou por desprezo, chama-se às vezes jargão uma língua estrangeira, o patois de uma província, para exprimir que dele nada se compreende; diz-se também da linguagem de uma pessoa, de uma sociedade, do estilo de um escritor: o jargão do Limousin; eu nada entendo do jargão da metafísica.”) – Geringonça (ou gerigonça) é o termo que em português equivale ao francês jargon e diz-se de toda linguagem ininteligível, quer pela natureza dos termos nela empregados, quer pelo modo confuso e obscuro de nele se disporem expressões conhecidas para exprimir ideias que geralmente se designam de outro modo. Por desprezo, dá-se esse nome a uma língua estrangeira que nos parece rude. – Calão e gíria são sinônimos perfeitos com que se designa a linguagem dos fadistas e gatunos; diferençam-se apenas em calão provir do espanhol caló, e gíria ser vocábulo português. Da linguagem dos ciganos, melhor se diz gíria que calão”. Notemos ainda que esta segunda tem sempre mau sentido: dize