(TXT sem título) https://silviolobo.com.br/dominiopublico/txt/parte_690193e58c6b41.75067429_419.txt m dos nossos autores quanto aos três primeiros vocábulos deste grupo: “Exprimem estas palavras três diferentes graus da maldade. – Diabólico dizemos do que à ideia de maldade reúne a de manha, finura, astúcia. – Satânico qualifica a maldade maliciosa ou astuta, levada a tão alto grau como a pode compreender o próprio Satanás. – Diabólico dizemos das pessoas e das suas obras e qualidades; satânico, só das qualidades. É um homem diabólico; tem uma imaginação diabólica; fez um plano, um ato diabólico. Há sujeitos, com cara de san- tos e que têm sorrisos satânicos. – Infernal, que se diz das pessoas, das suas qualidades e dos seus atos, encarece sobre diabólico por encerrar uma ideia de horror de que este carece. Um homem diabólico é travesso; um homem infernal é perverso”. – Demoníaco se diz do que é astuto, inquieto, maligno como o demônio. Gênio demoníaco = possesso, caprichoso, incompreensível, malvado como o demônio. GG5 DIALÉTICA, lógica. – “Esta parte da filosofia” – define Laf. – “que ensina a bem raciocinar, a bem usar da sua razão; e, numa acepção derivada – talento que consiste em raciocinar direito, a pensar como é preciso, de uma maneira sã, consequente, metódica”. – Lógica vem do grego logos “discurso, pensamento, razão”; dialética, do grego dialegesthai “entreter-se, discorrer, conversar”. Daí resulta esta diferença notável: que a lógica nos instrui sobre o bom uso da nossa razão no esforço de procurar a verdade; enquanto que a dialética ensina a bem dirigir a nossa razão na disputa, nas conversações, na transmissão da verdade. Um profundo pensador, como Descartes ou Malebranche, é um bom lógico; um hábil controversista, como Bayle, ou o grande Arnaldo, é um bom dialético. Aquele a quem falta lógica raciocina mal; o que não sabe manejar a arma da dialética não resiste aos argumentos do adversário. Há em todos os homens, ainda os mais grosseiros, uma lógica que se desenvolve com a idade, e lhes sugere até altas ideias, como a de Deus, por exemplo. “Aristóteles fez ver na sua Retórica que a dialética é o fundamento da arte de persuadir, e que ser eloquente é saber provar” (Volt.). “Há uma lógica natural de que ninguém se deve afastar qualquer que seja o assunto, mas principalmente em estâncias morais” (Lah.). “Uma das armas de Beaumarchais, e que lhe serviu para tudo, é a sua dialética... é a lógica oratória, a de Demóstenes” (Lah.). Eis aí o termo próprio achado: a dialética é particularmente a lógica oratória. – A dialética é também a lógica das escolas da Idade Média, a lógica da escolástica; pois que todos os nossos meios de chegar à verdade aí se reduziam a um só – a disputa. Também os grandes reformadores modernos, que combateram esta filosofia de argumentadores, criticaram-na, sob o nome de dialética, como impotente para descobrir coisa alguma, e opuseram-lhe a lógica. A prova disso é Descartes. “É preciso também – diz ele – estudar a lógica, não a da escola, porque esta não é, falando propriamente, mais do que uma dialética