(TXT sem título) https://silviolobo.com.br/dominiopublico/txt/parte_690193e58c6b41.75067429_420.txt que ensina os meios de fazer passar aos outros as coisas que se sabem; ou ainda de dizer sem juízo muitas palavras sobre coisas que se não sabem; e é assim que semelhante lógica, em vez de aumentar ou fortalecer – corrompe o bom senso; mas a lógica que é preciso estudar é aquela que ensina a bem conduzir a razão para descobrir as verdades que se ignoram”. Mesmo na linguagem comum, a palavra dialética recorda os defeitos bem conhecidos da escolástica. “A lógica mais exata, conduzida e dirigida por um espírito de geômetra, é a alma de todas as obras de Arnaldo; mas decerto que anda longe essa lógica de ser uma dialética seca e descarnada, que não apresenta mais do que um como esqueleto de raciocínio” (D’Ag.). Por outro lado, como a lógica se ocupa da procura, e a dialética se ocupa da demonstração da verdade; como uma tende a guiar o pensamento individual independentemente de toda expressão, e a outra a fazer triunfar nas discussões, a fazer prevalecer pela palavra uma tese ou uma causa – por isso a lógica é mais relativa ao fundo, e a dialética à forma; a primeira às ideias, a segunda à maneira de as apresentar. Um bom lógico pensa e racio- cina direito, com justeza; mas, se não tem arte e habilidade, pode muito bem ser um detestável dialético. E reciprocamente: sem lógica, sem retidão de espírito, raciocinando mal, ou obliquamente, pode-se, como outrora os sofistas, ser muito bom dialético, para dar ao falso as aparências do verdadeiro. Tomar e propor erros como premissas, como verdades fundamentais – eis o efeito da má lógica; saber tirar dessas premissas conclusões capciosas, próprias para vencer um adversário ou os contraditores – eis a obra de uma subtil dialética. É neste sentido que se tem dito de J. J. Rousseau: “Se não se tem o cuidado de o deter ao primeiro passo, logo a sua dialética, tão subtil quanto é má a sua lógica, vos arrasta com ele na torrente das consequências” (Lah.). No estado atual da filosofia, a lógica é uma ciência que compreende a dialética: a dialética é a parte da lógica que a escolástica cometeu o erro de cultivar exclusivamente; a única que é preciso ser conhecida do orador, porque é a única que trata da comunicação, ou da exposição da verdade; a que concerne ao raciocínio quanto a suas diferentes formas e que se designa por uma só palavra – a silogística, ou a argumentação”. GGG DIALECTO, língua (linguagem), idioma, jargão, geringonça, provincianismo, gíria, calão, patoá. – De quase todos estes vocábulos, e de acordo com os mais autorizados sinonimistas, escreve Bruns.: – Língua é o modo de falar de uma nação, de um povo ou de uma raça – modo sujeito a regras fixas que determinam a individualidade dessa língua e a fazem inconfundível com outra qualquer. A língua portuguesa é falada em Portugal e no Brasil. A língua árabe predomina entre os povos maometanos. – Idioma, vocábulo que geralmente se confunde com língua, não deve dizer-se de um modo absoluto da língua de uma nação, mas só dessa língua desligada de qu