(TXT sem título) https://silviolobo.com.br/dominiopublico/txt/parte_690193e58c6b41.75067429_415.txt no sentido concreto. – Despejar é “desembaraçar esvaziando do que a enche a coisa que se despeja”. No momento do tumulto, chega a polícia e faz despejar a praça, ou o teatro. – Abrir, aqui, é “dar espaço, largueza, afastando obstáculo”. – Desentulhar é “remover entulho, isto é, o que enche algum espaço (fosso, cova, depressão, etc.) para que fique desembaraçado e desoprimido”. – Desentupir é “desembaraçar (um tubo, um orifício) de alguma coisa que impede o curso, o escoamento, a saída”. – Desocupar é “despejar um recinto, uma passagem, removendo o objeto que a toma ou enche”. Desocuparam a praça. Desocupou a casa, o lugar, o beco. G55 DESNECESSÁRIO, escusado, supérfluo, demasiado, inútil, dispensável, excessivo, sobejo, sobrado, nímio, superabundante. – Desnecessário é propriamente “o que não mais é necessário”. Só vem a ser, portanto, desnecessário, em rigor, aquilo que tinha sido necessário. – Escusado e dispensável confundem-se e bem poderiam ser tomados como sinônimos perfeitos se o sufixo vel não marcasse em dispensável uma propriedade que não é tão clara em escusado. O que é escusado não havia necessidade ou conveniência de ser feito; o que é dispensável podia dispensar-se, mas apenas podia dispensar-se, sem a ideia de que se dispense efetivamente. Era dispensável o documento que juntou à sua defesa: não é escusado, no entanto, pois dá mais força ainda às provas da sua inocência. Aí não se poderiam trocar os dois adjetivos. – Sente-se, portanto, que escusado se aproxima de supérfluo muito mais do que dispensável. O que é supérfluo, porém, é escusado, não porque seja desnecessário, mas porque é demais, porque excede à medida. – Supérfluo é convizinho, pois, de demasiado, sobejo, sobrado, nímio. Mas dizemos, por exemplo –, que o patrão usa demasiado rigor com os seus operários (e não – supérfluo, nem – sobejo, nem – sobrado; quando muito – nímio). Sente-se que demasiado e nímio marcam uma certa gradação de intensidade, melhor do que propriamente excesso. Sobejo e sobrado designam o que excede muito os limites, mas que não se pode dizer que seja demasiado ou supérfluo. F. tem sobejas razões. Sobrados motivos temos nós para clamar. (Ninguém diria que F. tem supérfluas razões; nem que demasiados motivos temos nós...). – Sobrado sugere ideia de superioridade: ideia que se não inclui em sobejo. Por que me trata com tão sobrada arrogância? Há de abater-se aquele sobrado orgulho. – É excessivo “o que excede a norma, o que vai além da medida”. Aproxima-se tanto de demasiado que raro será o caso em que se não possam substituir. – Superabundante é “o que é mais do que excessivo, ou o que é excessivo com ostentação e alarde”. – Inútil é, aqui, “o que é escusado por não ter a serventia ou a eficácia própria”. G5G DESPOJAR, espoliar, esbulhar, desapossar, extorquir, privar. – Tirar a alguém o que lhe pertence – é a significação destes verbos. Despoja-se, no entanto, cometendo violência física. Esbulha-se privando o esbulhado ou de fazendas, ou de b