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melhante a parvo, com jeito de parvo”). – Besta, além de abestalhado, dá bestiaga, que significa “estúpido e sem préstimo ou valor algum”. – Parvo quer dizer “pequeno de espírito, curto de compreensão como criança, e revelando isso por inépcias, modos e gestos de quase idiota. – Parvoinho é simples diminutivo de parvo. Temos ainda: parvoeirão (aum.) = “grande parvo”; e parvajola = “que, por fazer-se engraçado, se ostenta parvo, ou melhor, parvoinho” (pois parvajola é também forma diminutiva). – Bobo, como se sabe, era, na Idade Média, o jogral de corte; e por analogia significa o “indivíduo pobre de espírito que procura divertir os outros, mais com esgares, mímica espalhafatosa, disparates gaguejados a custo, graçolas charras, ou palavras deturpadas e sem nexo, do que propriamente com discursos ou ditos graciosos”. Além de abobado e abobalhado, temos ainda bobório, muito usado pelo menos em grande parte do sul do Brasil, conquanto, como outros muitos do grupo, não figure nos léxicos. – Bobório quer dizer “bobo a afetar compostura de gente sensata”. – Palerma é o indivíduo “quase idiota e que parece ter tanta incapacidade para pensar como para mover-se”. Dá apalermado = “com ares de palerma”. – Pateta designa indivíduo “desorientado e abobado”. Dá apatetado = “com ares de pateta”. Do mesmo radical temos ainda: patau, patego, patocho, pataroco, formas que pouco alteram a significa-

ção que tem aqui, por figura, a própria palavra pato, dando ideia do “indivíduo lorpa, que se deixa iludir, enganar, explorar facilmente”. – Patau (que também poderia ser uma adaptação do francês pataud) sugere, além da ideia de parvoíce, a de grande inépcia”. – Patego é como se dissesse “pequeno pato”, “meio pato”. – Patocho, diz C. de Fig., que é provincianismo algarvio, e que significa o mesmo que patego. – Pataroco é outro provincianismo algarvio, com idêntica significação, parecendo, aliás, uma forma diminutiva ainda mais acentuada de pato. – Tolo e estólido são formações do mesmo latino stolidus: a forma popular, que é a mais usada, equivale a “bobo insolente, ignorante que se mete a sabichão, maluco pretensioso”. Dá atoleimado – “que se faz de tolo”. – Estólido, que é forma erudita, diz melhor “o que não tem o discernimento, nem a compostura, a medida do bom senso comum”, o que é “leviano com petulância”. – Papalvo quer dizer “simplório, palerma, demasiado ingênuo, fácil de enganar”. Dá apapalvado = “com jeito de papalvo”. – Lorpa é o indivíduo “inepto, preguiçoso, incapaz de esforço físico ou mental”. Temos ainda alorpado = “feito, ou parecendo lorpa”. – Camelo (fig.) é o “indivíduo pesado, rude, lerdo no pensar e no agir”. – Camelório diz “quase camelo”, “que se faz de camelo”. Acamelado = “com ares de camelo”. – Palúrdio quer dizer “idiota, estouvado, estúpido, abrutalhado”. – Patarata é “pessoa tola, afetada, pretensiosa, impostora, fútil”. (Aul.), “tipo mais boçal e desfrutável que o bobo”. Dá apataratado = “que se faz patarata”, ou “que se assemelha a patar