(TXT sem título) https://silviolobo.com.br/dominiopublico/txt/parte_690193e58c6b41.75067429_391.txt Vieira. O sentimento da honra nasce do desejo inato, que todos temos, de merecer a estima de nossos semelhantes. O sentimento do decoro nasce da ideia de superioridade aos irracionais que em nós sentimos, e da tendência a mostrar esta mesma superioridade aos que são de uma condição inferior. O sentimento da dignidade resulta de nossa posição social, e da justa ideia de fazer ações consentâneas aos cargos que ocupamos, ou à jerarquia a que pertencemos. O primeiro leva o homem à virtude, e às ações generosas; o segundo sustenta-o para que se não degrade; o terceiro avisa-o que nada faça que lhe deslustre o bom nome, ou lhe diminua a reputação. No que o mundo chama honra há muitas vezes mais vaidade que virtude; no que se chama decoro tem não poucas vezes mais parte a opinião pública do que a razão; e no que se chama dignidade domina de ordinário mais a hipocrisia que a sinceridade. – O que dissemos – continua Roq. – a respeito de erro e error pode aplicar-se a honor e honra. Usavam os nossos antigos mui acertadamente dos dois vocábulos com distinta significação; mas os modernos, talvez porque o primeiro cheirava a castelhano, ou porque entenderam que ambos significavam a mesma ideia, condenaram ao esquecimento o primeiro, e só usam do segundo. Respeitamos os direitos de uso; mas, como neste caso é arbitrário e despótico, dir-lhe- -emos que não tem razão; e os homens de bom senso e inteligentes deveriam reabilitar a palavra honor, para evitar a homonímia, diferençando-a de honra pela maneira seguinte. O honor é independente da opinião pública, é qualidade inerente à pessoa. Assim dizia o autor da Eufrosina: ‘Perdi meu honor, maldizendo e ouvindo pior’. A honra deve ser o fruto do honor; isto é, a estimação com que a opinião pública recompensa aquela virtude. Um homem de honor é a honra de sua família. Herda-se o honor, e não a honra: esta funda-se depois nas ações próprias e no conceito alheio. Honra-se alguém, mas não se lhe dá honor. Um soberano honra com sua presença a casa de um súbdito; mas, se este não tiver honor, não ficará por isso mais honrado”. – Segundo Bruns. – “a gravidade é ostentosa e aparente, e consiste particularmente em evitar tudo aquilo que é frívolo, ou em que há ligeireza. Presta-se este termo a ser tomado em sentido irônico por designar uma certa dignidade fictícia que o amor próprio impõe às pessoas que têm a convicção de que passariam despercebidas se não se apresentassem gravemente – dignidade que também é comum àquelas que fazem uma ideia exagerada do lugar que ocupam na sociedade, e do que exige realmente a sua verdadeira situação”. – A decência (do latim decet “é conveniente”) consiste no conjunto das exterioridades que, segundo as exigências da época em que se vive, harmonizam entre si a aparência da pessoa e a sua compostura, sua linguagem, seu trajar, seu modo de receber os que a procuram, etc. Este termo é, portanto, exclusivamente relativo ao que na pessoa é puramente exterior, e não se diz tanto com relação a