(TXT sem título) https://silviolobo.com.br/dominiopublico/txt/parte_690193e58c6b41.75067429_390.txt e se devem adaptar as coisas do mesmo gênero”; e modelo é “a norma, o tipo que, no gênero, deve ser imitado ou reproduzido”. – Ideia é “o meio ou modo, qualquer que seja, pelo qual se sugira aquilo que pretendemos realizar”. – Escorço é o “desenho de uma coisa em miniatura”; ou, se se trata de trabalho literário, é “a ideia ligeira, ou o plano conciso de uma composição que se vai fazer, ou de um pensamento que se poderia, ou poderá ampliar”. G11 DECAIR, descair. – Não se podem confundir estes dois verbos. – Decair é baixar, declinar, enfraquecer-se, deixar de ser o que era. Decaiu da confiança, do conceito, da estima de alguém. – Descair é sair da posição ou da linha, desviar-se da direção que levava. Ninguém descai sem desdoiro: a descaída é sempre uma depressão ou um deslize. Descaiu para o vício. Descaiu para a esquerda, para o sertão. G12 DECAPITAR, degolar, guilhotinar, descabeçar. – A ideia de “separar a cabeça, cortando o pescoço” é comum a estes verbos. Mas tem cada um a sua propriedade espe- cífica segundo os casos em que são aplicados. Dizemos, por exemplo: “Os bandidos entraram, e foram degolando a torto e a direito” (e não – decapitando, pois este verbo sugere, em regra, solenidade de execução; o que – deve notar-se – não impede que possa empregar-se o mesmo, em sentido figurado, sem esta restrição; como quando se diz: “a criança foi ao jardim, e decapitou todas as flores”). Não se condena um criminoso a ser degolado, mas a ser decapitado. O bandido foi decapitado na praça pública (e não – degolado, pois degolar sugere ideia de execução fora de toda ordem legal). – Guilhotinar é decapitar na guilhotina; enquanto que decapitar é decepar a cabeça por golpe de cutelo. – Descabeçar é “tirar a cabeça, de qualquer modo”; e aplica-se mais no sentido material de cortar a cabeça, a extremidade superior de coisas, de pessoas ou mesmo de animais. G13 DECORO, dignidade, honra (honor), decência, reserva, recato, gravidade, pudor, vergonha, compostura. – Diz Roq. que – “Cícero distingue duas espécies de decoro: um, geral, que se estende a tudo que é honesto; e outro, particular, que pertence a cada uma das partes da honestidade. Define o primeiro: o que é consentâneo à excelência do homem, naquilo em que sua natureza o diferença dos outros animais; e o segundo, como espécie do primeiro: o que é consentâneo à natureza do homem, de modo que nisso se manifeste moderação e temperança com certo ar nobre (De Off. I, 28). – Dignidade é a qualidade que constitui um homem digno da consideração e honra que se lhe tributa; e também a maneira grave como procede em harmonia com os empregos que exerce, ou a graduação que ocupa na ordem social. – Honra é a boa opinião e fama adquirida pelo mérito e virtude; e considerada no indivíduo, o que se devia chamar honor, é aquele sentimento habitual que leva o homem a procurar esta boa opinião e fama pelo cumprimento de seus deveres e pela prática de nobres ações – é o segundo anjo de guarda da virtude, como disse