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ilhar nas letras. – Pensar é, aqui, “ter no pensamento, ter como opinião, ou modo de ver pessoal, sem ter, no entanto, base para uma sólida convicção, ou para afirmar decisivamente”. Penso que as coisas irão melhor do que tu pensas. – Julgar é “pensar com mais algum fundamento; ter opinião baseada em dados ou razões que se pesaram, conquanto não nos autorizem a afirmar ou a negar categoricamente”. Julgo que erras, porque sei de muita coisa que tu ignoras. – Quem presume não tem certeza, mas apenas inclina-se a crer levado por indícios, pressentimentos, ou mesmo por ilações muito vagas. Pelo que ouvi numa roda, presumo que o Bento não será candidato (pretendo, suspeito, desconfio que não será candidato). – Supor é admitir por hipótese, ou condicionalmente, segundo um princípio da razão que se tem para crer. Suponho, à vista do que ontem me disseram, que está tudo perdido... Ele supôs que nós queríamos destruir-lhe a igrejinha... – Cuidar, aqui, é ter na atenção, e por isso apenas esperar ou temer que uma coisa seja ou se dê, deste ou daquele modo. Cuido que me não deixarás mal... Cuidaste então que eu não vinha?
G03
CRESTOMATIA, seleta, antologia, florilégio, coleção, coletânea, polianteia, silva, miscelânea, catalecto, analecto (folclore). – Coleção de trechos escolhidos – tal é a significação comum a todos os vocábulos

deste grupo; convencionalmente, porém, atribui-se a cada um deles determinada particularidade. – Crestomatia (do grego khrestôs “útil”, e mathein “aprender”) diz-se de uma coleção de trechos seletos de bons autores, coordenados metodicamente em dificuldade crescente para seu estudo. – Seleta, o termo mais usual de todos os deste grupo, designa coleção de trechos seletos de autores de nota, sem nenhuma ideia acessória a respeito da natureza desses trechos, nem da sua disposição. O estudo das crestomatias é mais profícuo que o das seletas. – Antologia (do grego anthos “flor”, e legein, “colher”) designa particularmente a coleção de poesias primorosas. Não quer isto dizer que na antologia não tenham cabida certos trechos de prosa; mas para que nela figurem devem ser primores de linguagem e de pensamento. – Florilégio distingue-
-se de seleta em terem neste cabida, não só trechos literários, mas também trechos de obras científicas; ao passo que ao florilégio só pertencem os que são puramente literários. – Polianteia (do grego poly “muitas”, e anthos “flor”) é reunião de trabalhos literários, quase sempre em homenagem a alguém ou em rememoração de algum fato. É termo análogo a antologia; distinguindo-
-se, porém, deste em sugerir que a escolha se fez de momento e segundo o critério ou gesto de quem escolheu; enquanto que a antologia designa – escolha feita pelos mais competentes ou mesmo pelo consenso de várias gerações. O que figura na antologia é como se já fosse clássico, pelo menos no país, ou mesmo na província onde se faz a publicação. O que figura na polianteia será apenas o melhor que se encontrou, na opinião do colecionador