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fazemos todos os dias. – Uso é vocábulo menos extensivo que costume; não deixa, no entanto, por isso de encerrar ideia de coletividade. Se o costume é de todos, ou quando menos de muitos, o

uso é apenas peculiar a determinado grupo da totalidade. Se numa terra é costume ir aos ofícios da igreja, nem por isso fazem todos uso do livro de missa: esse uso é quase exclusivo às senhoras. (Segundo Bruns.)

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COVARDE, pusilânime, fraco, poltrão, medroso, tímido. – Covarde (ou cobarde) é “o que não tem energia moral para ser digno nas conjunturas difíceis”. A covardia é um vício de alma, incompatível com todas as virtudes generosas. Um indivíduo pode ser fraco, medroso, poltrão mesmo, sem ser indigno: o covarde é sempre indigno. Aquele que, provocado, não aceita um repto pode ser fraco ou poltrão (sim: se, por exemplo, não deu motivos para que se lhe lançasse o repto); mas o provocador, se recua, ou se fere à traição e foge, é covarde. – Pusilânime significa simplesmente – “de ânimo pequeno” (pusillus “pequeno”
+ animus). O indivíduo pusilânime não se
atreve a investir ou mesmo a reagir quando devia fazê-lo. – Fraco é o “que teme e não age”. Entre fraco e poltrão a diferença consiste em ser o poltrão, além de pusilânime, covarde. Por prudência, por escrúpulos morais, pode um indivíduo parecer fraco; poltrão será sempre aquele “que não obra”, mais por uma espécie de preguiça moral que lhe derranca a alma, do que pela consciência do perigo. – Medroso é “o que tem medo e recua, ou não avança; o que teme coisas fantásticas”. Entre medroso e tímido há uma grande diferença. A timidez é mais um defeito de educação do que propriamente uma falha de caráter, ou um estigma de temperamento. É fundada na consciência da própria fraqueza, ou da própria inferioridade: enquanto que o medo

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CRÁPULA, deboche, orgia, libertinagem, devassidão. – De pleno acordo com os melhores sinonimistas, escreve Bruns.: “A crápula é o excesso de devassidão no que ela tem de mais vil e grosseiro, de mais abjeto e repelente. Se quisermos referir-nos com este vocábulo aos gozos carnais49, exprimimos a ideia do vício mais asqueroso, e dos meios mais imundos. – Deboche, vocábulo que alguns pretendem ser galicismo inútil, é, pelo contrário, um vocábulo de grande utilidade na língua por exprimir, em determinadas circunstâncias, uma nuança particular em que se atenua a ideia geral que ocorre ao espírito com qualquer dos outros vocábulos deste grupo. O deboche é sempre um excesso no gozo dos prazeres sensuais; mas, se a crápula não pode deixar de ser vil e grosseira, pode ter o deboche requintes de elegância e de distinção que não são dados à libertinagem, nem à devassidão. Concorre também em pró deste vocábulo a circunstância de poder indicar, não um vício, ou um hábito inveterado, nem sequer uma série de atos de libertinagem, mas sim um deslize, um ato isolado, que se faz uma vez, um dia, alguns dias a seguir, mas sem reincidência nesses atos. Fazem-se deboches; mas não se fazem libertin