(TXT sem título) https://silviolobo.com.br/dominiopublico/txt/parte_690193e58c6b41.75067429_378.txt e pode estar correta e não ser exata: isto é, pode estar construída com todo o rigor gramatical, e exprimir, no entanto, um contrassenso. Se dissermos – “a água é dura, ou sólida”, rebater-nos-ão logo que isso não é exato; e, no entanto, ninguém nos dirá que a proposição, ou melhor, que a oração não é correta. – Perfeito é “o que apresenta o sumo grau da correção”, e tanto se pode aplicar ao sentido como à forma do discurso, mas principalmente à forma. Escrever com perfeição – é escrever com a maior correção possível, mesmo que nem sempre se exponham ideias ou sentimentos que mereçam plena sanção. – Castiça é “a linguagem que está de acordo com a índole da língua”, mesmo que muitas vezes não pareça muito ajustada às regras comuns da gramática. A casticidade é, portanto, mais relativa ao que é próprio, particular da língua do que aos princípios que regem a linguagem. – Vernáculo é “o idioma próprio do país”. Não se confunde, portanto, vernaculidade com casticidade. Um papel, uma carta escrita em vernáculo pode muito bem dar-se que o não seja em castiço ou em linguagem castiça, isto é, pode estar escrita segundo o modo comum de escrever-se ou falar-se no país (e ser em vernáculo) e, ou por ignorância de quem escreve, ou por desídia, ou por outra razão qualquer, não apresentar a fisionomia característica da língua como a escrevem e falam os cultos (e não ser, portanto, em castiço). – Pura é a linguagem sem vício de elementos estranhos, esmerada principalmente quanto ao emprego exclusivo de palavras próprias da língua. A pureza consiste, pois, em não estar a língua deturpada de formas de outras línguas. Pode pecar-se contra a pureza da língua tanto empregando abusivamente vocábulos exóticos escusados como admitindo construção, aparências, meneios de frase que lhe não são próprios. – Clássico é “o que está consagrado como melhor para servir de modelo”. Também se refere tanto à frase como à palavra. Há escritores que têm a preocupação de evitar o emprego de um termo que não tenha sido usado por algum clássico de grande autoridade. Seria necessário, no entanto, mostrar a esses como um classicismo exagerado, em vez de bem, faz grande mal à língua que se supõe defender. A semelhante classicismo cabe com mais propriedade o nome de purismo. – Lídimo é “o que não infringe as leis ou as regras da gramática, nem está fora do uso próprio da língua”. A lidimidade poderia, portanto, confundir-se com outros vocábulos deste grupo, principalmente com pureza. Mas lídimo se aplica de preferência à palavra, e puro à forma, à expressão. Diremos, portanto – a lidimidade do termo – a pureza da linguagem. 5G2 CORSÁRIO, pirata, flibusteiro, corso, pirataria. – Entre corsário e pirata sempre houve uma distinção que se pode dizer meramente convencional: designando o último – o ladrão do mar, que assalta e rouba quantas embarcações encontra; e o primeiro, designando o que tem carta de corso, isto é, que está autorizado pelo próprio governo a que serve a perseguir os navio