(TXT sem título) https://silviolobo.com.br/dominiopublico/txt/parte_690193e58c6b41.75067429_357.txt te não alcança estas coisas”; “Não tenho mente para entender sentenças tão abstrusas”; “A mente poderosa, clara, aberta do poeta, do sábio...” – nessas frases não poderia substituir-se mente por memória46. Afinal, o que é preciso não esquecer é que esta palavra mente é uma das mais extensas da língua, e que só mesmo em cada caso é que se lhe poderá fixar o valor exato. Saraiva consigna toda esta variedade de acepções e sentidos: espírito, alma; razão, sabedoria; juízo, discernimento; inteligência, talento, gênio; pensamento, plano, projeto, intento; memória; caráter, índole, sentimentos, valor, ânimo, coragem; sentido, significação. – Compreensão é faculdade mental que se confunde com entendimento: é propriamente a faculdade de “apanhar inteiramente um objeto, um assunto, em todas as suas particularidades”. Pode-se marcar alguma diferença entre compreensão e entendimento. Este designa operação subjetiva, ou pelo menos mais independente do exterior; compreensão designa uma capacidade do espírito, exercendo-se sobre coisas exteriores. Poderíamos dizer sem chocar o senso lógico: “mente, entendimento divino”; pois neste caso quereríamos exprimir a grandeza, o poder do entendimento de Deus, segundo as medidas que temos do entendimento humano. Mas decerto que não diríamos com igual propriedade: “compreensão divina”; porque, neste caso, pareceria que, pelo menos, reconhecíamos a possibilidade de limitar-se a compreensão de Deus. – Intelecto é “o no espírito, e como resultado de uma opera- ção que lhe é própria, alguma coisa a dizer. E tanto assim que, geralmente falando, em frases onde cabe memória só muito excep- 46 ~ Resta assinalar que no vocábulo mente (latim mens, tis) figura a raiz grega men ou man, que sugere ideia de “pensar”, “sentir”. próprio entendimento, o espírito, o conjunto das faculdades intelectuais”; e por ser um termo genérico, é mais vago, e não tem nem a precisão nem a força dos que, dentre o grupo, lhe ficam mais próximos. Comparado com inteligência, deve logo notar-se que ele designa uma capacidade concreta, própria, pessoal. Não se diz, por exemplo: “F. não tem intelecto” (seria o mesmo que dizer – “não tem entendimento”); porque intelecto é coisa que todo homem possui. Dizemos, no entanto: “F. é de intelecto muito limitado”; ou mesmo “F. é homem de vasto intelecto”. Não dizemos também: “o intelecto humano”; nem: “o intelecto divino”. E dizemos, no entanto, a “inteligência divina”; a “inteligência humana”. – Apercepção é “a faculdade de sentir, por um alto poder do próprio espírito, alguma grande verdade, ou alguma noção muito abstrusa, fundando esse sentimento numa íntima certeza de consciência”. “Ele tem uma nítida apercepção das coisas divinas” (tem um secreto, recôndito, intrínseco e luminoso sentimento das coisas divinas). “F. tem uma apercepção maravilhosa da finalidade do universo” (tem uma clara e profunda consciência do destino de todo o criado). Parece, portanto, que apercepção é mais um dom, uma capacidade, uma