(TXT sem título) https://silviolobo.com.br/dominiopublico/txt/parte_690193e58c6b41.75067429_353.txt não olhando para ele. O entendimento é como o ouvido, que para ouvir é bastante estar aberto, e não precisa de ir ao encontro das coisas a conhecer. De acordo com a diferença assinalada, dizemos: os olhos da inteligência; a apreensão, a ação, a operação, o desenvolvimento, a subtileza, o esforço, o alcance, as descobertas da inteligência. Ao contrário, não nos podemos servir de entendimento senão em frases como estas: as ideias se introduzem, entram, são recebidas no entendimento; os objetos, as verdades apresentam-se ao entendimento, enchem o entendimento (Boss.); as ideias, segundo Platão, residem no entendimento divino (Fén.); enriquecer de conhecimentos seu entendimento; as luzes com que a fé nos aclara o entendimento; a ciência é a luz do entendimento (Boss.). A inteligência é verdadeiramente uma faculdade, e como um operário, que tem instrumentos. “Para aprender a pensar é preci- so exercitar nossos membros, nossos sentidos, nossos órgãos, que são os instrumentos de nossa inteligência.” (J.-J. Rous.). O entendimento é uma capacidade, um continente, um receptáculo, onde as coisas chegam por várias portas: “Os sentidos são as portas do entendimento” (Volt.). A inteligência é viva, rápida, penetrante. Do entendimento só se pode dizer que é aberto ou fechado, largo ou estreito. – A concepção tem mais relação com a inteligência que com o entendimento. Ela é ativa: não consiste em receber apenas. Mas a inteligência é propriamente penetrante: é a acies mentis dos latinos, a ponta, a finura, a subtileza do espírito: a concepção é pronta. “O orador deve ter um espírito justo, extenso, penetrante, uma concepção pronta”. A inteligência traspassa os mistérios, penetra as coisas mais difíceis, mais secretas; mas não exclui a lentidão, nem o esforço: a concepção compreende instantaneamente, por uma meia palavra, e não tem necessidade de que se acabe a demonstração ou a explicação: basta, por assim dizer, que tenha sido como fecundada por alguns dados para suprir por si mesma o resto. Demais, inteligência dizemos melhor quando nos referimos a coisas abstratas; e concepção empregamos falando de planos, de combinações, de formas, em suma de tudo de que se faz imagem; pois bem se sabe que em um outro sentido concepção é sinônimo de imaginação. É preciso ter inteligência para seguir uma demonstração de álgebra; e concepção para fazer-se, em geometria, uma ideia das figuras, de sua posição, e de suas diversas relações. – A concepção, a inteligência, o entendimento fazem considerar o homem como aprendendo, como procurando saber, isto é – apanhar, adquirir o que lhe oferece o mundo objetivo. A razão e o juízo o representam como um juiz que, com a lei nas mãos, decide que tais ou tais coisas são a ela conformes ou contrárias. A lei é a razão; a ação, ou a faculdade de determinar a conveniência, ou a desconveniência com a lei, é o juízo. A razão é a lei não escrita, como a lei é a razão escrita. – Racional45 exprime uma qualidade absoluta, comum a todos os ho