(TXT sem título) https://silviolobo.com.br/dominiopublico/txt/parte_690193e58c6b41.75067429_341.txt erbos há esta diferença ainda: praticar denota sempre in- tencionalidade; cometer, não; pelo menos nem sempre. Uma falta que se cometeu por inadvertência não se diz que se praticou. Indica isto que cometer sugere uma ideia da responsabilidade do agente: noção que nem sempre se inclui em praticar. Uma criança pratica desatinos; um homem alcoolizado pratica despropósitos. Em nenhum desses dois exemplos caberia – comete. 532 COMETIMENTO, empresa, empreendimento. – Empresa e empreendimento aproximam-se pelo que de comum subsiste na sua estrutura; mas há entre os dois a diferença que consiste em ser empreendimento só aplicável a empresas de vulto; e melhor ainda, no fato de excluir a ideia de operação mercantil, que é ordinariamente sugerida pelo vocábulo empresa. É um vasto empreendimento uma ascensão ao Himalaia, a travessia do Mediterrâneo em balão, uma viagem do Rio aos Andes pelo interior; e até se diz que é alto empreendimento uma grande reforma política, a propaganda de um vasto ideal de justiça, a composição de uma obra literária, etc. A nenhuma dessas coisas poderia aplicar-se com a mesma propriedade a palavra empresa. – Cometimento ajunta ao vocábulo empreendimento a sugestão de perigo. Só a ações muito árduas, a intentos audaciosos, a planos arrojados é que se dá o nome de cometimentos. 533 COMILÃO, glutão, guloso, faminto, voraz. – Comilão é “o que come demais”. Entre comilão e guloso há esta diferença: o primeiro come muito sem fazer questão de manjares, e parece que come para encher-se; o guloso escolhe os melhores acepipes, come com certa luxúria. – Glutão é “o que come depressa, com avidez, como se devorasse o mais que pode sem atenção com o outros”. – Faminto, vulgarmente (e é nesta acepção que figura neste grupo), aproxima-se de glutão: é “o que parece andar sempre com fome, devorando o que encontra”. – Voraz é propriamente “o que devora, que come em excesso e com rapidez espantosa”. 534 COMO, assim como, do mesmo modo que..., tal qual, de que modo, segundo, conforme. – A maior parte destas palavras podem entrar em mais de uma categoria gramatical. – Como significa – “de que modo, deste modo, desta forma”; e também – “à vista disso”, ou – “do modo que”. Em regra, como exprime relação comparativa; isto é – emprega-se quando se compara o que se vai afirmar com aquilo que já se afirmou; ou aquilo que se quer, que se propõe ou se deseja, com aquilo que em mente se tem. Exemplos valem mais que definições: – Como cumprires o teu dever, assim terás o teu destino. – O verdadeiro Deus tanto se vê de dia, como de noite (Vieira). – Falou como um grande orador. – Irei pela vida como ele foi. – Assim como equivale a – “do mesmo modo, de igual maneira que”... Assim como se vai, voltar-se-á. Assim como o sr. pede não é fácil. Digo-lhe que assim como se perde também se ganha. Destas frases se vê que entre como e assim como não há diferença perceptível, a não ser a maior força com que assim como explica melhor e acentua a comparação. – Nas mes