(TXT sem título) https://silviolobo.com.br/dominiopublico/txt/parte_690193e58c6b41.75067429_332.txt icada um vivo sentimento de miseração; mas só nos comiseramos do infeliz ou pelo infeliz que sofre diante de nós; e ninguém decerto sentiria, hoje, comiseração por um Lesurques ou por um Luiz XVI. “Jesus passou por este mundo numa contínua miseração”. “Não há quem não sinta comiseração por este desgraçado.” – Indulgência é “o sentimento daqueles que são propensos a não usar de rigor e severidade com os que erraram ou cometeram faltas”. Aproxima- -se muito de tolerância. Esta deixa passar a falta, fecha os olhos ao erro; aquela, a indulgência, se não perdoa sempre, é fácil em perdoar, e minora, o mais que pode, o castigo. A tolerância pode vir da prudência, ou da desídia; a indulgência nasce da bondade, e não dissimula o desejo de que a culpa não se repita. – Inocência (diretamente do latim ignoscentia) = “remissão de culpa; perdão que se concede; indulgência, mais talvez por segnícia que por misericórdia”. – Bondade é uma palavra que perdeu, no uso comum, toda a sua nobreza. Quando Jesus dizia que “só Deus é bom”, dava à bondade o valor de um atributo divino. Verdadeiramente, esta palavra designa o mais alto grau de perfeição moral a que é possível atingir no mundo. “Bom” é aquele que ama o bem, e o bem consiste na exclusão de tudo quanto repugnaria àquele que é o próprio bem infinito. A bondade não será, portanto, menos que o conjunto de todas as grandes virtudes que aproximam do Criador a criatura. Numa acepção mais restrita e vulgar, porém, a bondade consiste na “inclinação para o bem”. – Benignidade é também uma “virtude” dos grandes, dos poderosos. Distingue-se de clemência em não sugerir, como esta, a ideia de que tem culpa a ser perdoada aquele que inspira ou que pede brandura e tolerância. Por isso é que disse o poeta: Os olhos da real benignidade Ponde no chão... (Lus., I, IX) Aí não caberia clemência, pois não é de perdão que precisa quem pede, mas de generosidade, de coração afável. É claro que não se concebe clemência sem benignidade; e o próprio Camões nos dá exemplo no verso: Queria perdoar-lhe o rei benigno, (Lus., III, CXXX) Mas a manifestação de benignidade com aquele que vai ser castigado ou punido pas- sa a ser clemência. – Humanidade é “a qualidade de ser humano, isto é, de ser brando de coração, delicado de sentimentos ao ponto de ter benignidade com todos os que sofrem, que precisam de alívio, de socorro, de justiça; e de não ver tranquilo o sofrimento nem dos animais”. 517 CLÉRIGO, eclesiástico, sacerdote, presbítero, padre, religioso. – Segundo Bruns. –, clérigo é todo aquele que tem alguma ordem sacra, maior ou menor. – Padre é termo genérico e designa qualquer clérigo secular que diga missa. O termo em si é nobre porque faz considerar o caráter sagrado que torna o homem representante de Deus e pai espiritual dos crentes. – Sacerdote é também expressão geral designando o eclesiástico em suas funções, ou como autorizado a presidir às cerimônias do culto. Não só se diz do padre católico, mas também de qualquer mini