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divisão natural que compreende todos os seres ou objetos da mesma raça e da mesma origem, mas que têm entre si relações que não são tão íntimas, tão singulares, como as que se notam entre os indivíduos da mesma espécie. Devemos notar, e este ponto é essencialíssimo, que os vocábulos espécie e gênero se confundem frequentemente, porque um gênero pode tornar-se espécie relativamente a um gênero superior; e vice-versa, uma espécie pode tornar-se gênero com relação a uma espécie inferior. Na aplicação destes vocábulos, porém, deve conservar-se a cada um o seu sentido particular; por exemplo: à humanidade chamaremos – espécie humana – quando nela se considerem as qualidades que são comuns a todos os homens; e – gênero humano, quando se considere o conjunto dos homens como constituindo uma mesma raça e possuindo uma mesma essência. À espécie humana pertence cada

mânico, eslavo, etc., do primeiro dos quais os portugueses formam uma das espécies41. – Resta-nos comparar os vocábulos ordem e classe, que designam agrupamentos convencionais, não naturais. Diferençam-se estes dois termos em ser a ordem complexa, e a classe não. Na ordem entram gradações; na classe tudo é igual, ou reputa-se como igual. Assim, na ordem social cabem a classe alta, a classe média e a classe baixa; entre uma e outra destas classes existem as diferenças chamadas sociais; em cada classe, porém, os indivíduos representam-se iguais. Nas ordens de cavalaria há diferentes classes: cavaleiros, oficiais, cruzes, grã-
-cruzes; nas ordens eclesiásticas há as classes
de presbítero, diácono, subdiácono, hostiário, leitor, exorcista e acólito. Muitas vezes vemos confundir os vocábulos ordem e classe; a clareza exige, porém, que não se denomine classe o agrupamento complexo, nem se dê o nome de ordem ao incomplexo”. – Sorte, que Bourg. e Berg. incluem no grupo (e que vem do latim sors “acaso”) “difere profundamente dos vocábulos acima: nada tem de preciso e de científico, e apenas marca uma reunião de objetos ou

homem, cada indivíduo; ao gênero huma-		

no pertencem todos os grupos de homens que, pela cor da pele, pela configuração do crânio, por outra qualquer particularidade, se assemelham entre si o bastante para constituírem grupo distinto. Dizer que estes ou aqueles seres ou objetos são do mesmo gênero é muito mais extenso, mas muito menos pormenorizado (e preciso) do que dizê-los da mesma espécie. – Família, apenas na classificação teórica das ciências, tem sinonímia com os outros vocábulos deste grupo: é o vocábulo com que se designa um agrupamento de gêneros que têm um caráter comum. Assim, na família europeia, distinta, entre outros carateres, pelo caráter da cor, cabem os gêneros neolatino, ger-
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~ Aqui parece que não há uma satisfatória precisão de termos. Dizer – gênero humano, e – gênero latino ou neolatino denota pelo menos uma confusão de palavras cujo valor anda esquecido, ou está por fixar. Não há, aliás, quem não prefira dizer – família, ou – grupo latino (e mesmo – raç