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sol – faz conceber este astro como lançando dardos de luz; mas, dizemos – o esplendor do sol – quando queremos dar uma grande ideia do espaço imenso que ele enche da sua luz. – Os vocábulos luz e lume, se fôssemos atender apenas à etimologia40, afigurar-se-nos-iam sinônimos perfeitos.

39 ~ Ou mais ou menos viva. Dizemos – “intensa
claridade”, e não – luar intenso, nem – vivo luar.
40 ~ O latim lux deu-nos o nosso luz; o latim lumen, segundo Sar., derivado de lux, deu ao francês o seu lumière. Encontram-se, portanto, as duas formas na mesma raiz grega luk, sugestiva de claridade, brilho, visão.

Dizemos com a mesma força: – a luz, ou o lume da razão. – Seria, no entanto, necessário admitir alguma diferença entre eles. – Lume é o nome que em português cabe a uma luz fraca, suave, doce; a um fogo pouco vivo, a uma chama serena. De uma pessoa que espira diremos que perde o derradeiro lume dos olhos. De uma lareira que se extingue subsiste sempre, por certo tempo, algum lume. – Fulgor é luz vivíssima; é brilho que alucina e quase que se diria fulminante. – Dizemos – o fulgor do raio, – e também – o fulgor de uma lâmpada – para dar ideia da intensidade da sua luz. – Lampejo será ligeiro fulgor, fulguração instantânea. Dizemos – ainda lhe pude sentir os últimos lampejos da razão divina – referindo-nos a uma criatura que enlouqueceu.

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CLAREZA, claridade; perspicuidade. – Dos dois primeiros diz S. Luiz: “Clareza emprega-se no sentido figurado e moral; claridade, mais ordinariamente no sentido físico e próprio. Assim dizemos v. g. – a claridade do sol, da luz, do dia, etc.; e – a clareza do entendimento, do discurso, das expressões; a clareza do sangue, da família, etc.” – Comparando clareza e perspicuidade, escreve o mesmo autor: “Ambos estes vocábulos exprimem uma qualidade essencial do bom discurso, ou seja escrito, ou pronunciado; mas clareza parece que se refere mais particularmente às ideias, e perspicuidade às expressões. A clareza requer precisão, exata dedução, e boa ordem nas ideias. A perspicuidade requer termos próprios e de significação bem determinada, construção regular, ligação conveniente. Tem clareza o discurso, quando mostra a verdade em toda a sua luz. Tem perspicuidade o estilo, quando através (digamos assim) dos vocábulos se vê perfeitamente o pensamento de quem fala ou escreve”.

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CLARO, diáfano, transparente, translúcido, perspícuo. – Claro é, no sentido próprio, o que deixa ver os objetos como eles são. Dizemos – manhã clara; e até – luar muito claro (para sugerir a ideia de que a luz da lua está excepcionalmente viva). – Diáfano é mais vizinho de translúcido que de transparente. Segundo a origem grega (diá “através”, e phaino “deixo ver”) diz – que deixa passar alguma luz; que não é opaco. Uma folha de papel comum, uma tela fina são corpos diáfanos ou translúcidos, mas não – transparentes; pois este vocábulo indica que a translucidez ou diafaneidade é tão completa que através do corpo transparente podem ver-se os objeto