(TXT sem título) https://silviolobo.com.br/dominiopublico/txt/parte_690193e58c6b41.75067429_322.txt m si um caráter familiar que torna o seu emprego impróprio do estilo elevado. Ela não é senão um rodeio de palavras e de expressões desenvolvidas que se emprega em vez da expressão simples e natural, quer por ignorância ou olvido momentâneo do termo adequado, quer para facilitar a compreensão do que se diz. Quem, no decurso da conversação, não se recorda imediatamente da expressão mais breve e adequada, do termo próprio para exprimir a sua ideia, faz uso de um circunlóquio, ou – o que é o mesmo – de uma circunlocução. Também para não ferir certas suscetibilidades, para não ofender com certos termos menos decentes, ou mesmo para não nos exprimirmos em termos triviais, fazemos frequente uso de circunlocuções. A perífrase (do grego peri “em torno”, e phrasein “falar”)38 é essencialmente oratória e poética, e por isso mesmo não convém ao estilo familiar. É uma figura de retórica com que se substitui a expressão simples de uma ideia por uma descrição ou expressão mais desenvolvida, porém só com o fim de dar ao discurso mais energia, mais nobreza, ou mais amenidade. Resulta do diferente caráter dos dois vocábulos uma diferença puramente convencional; porque, como vimos, a etimologia de ambos é a mesma (loqui sendo o equivalente latino, do grego phrasein, e circum o equivalente de peri) – resulta que a circunlocução pertence à linguagem comum, e tem mais relação com o fundo, ou com as ideias, que com a forma ou com as palavras; e que a perífrase, própria da linguagem seleta, é termo de retórica, e tem por isso mesmo mais relação com a forma ou expressão do que com o fundo ou com as ideias”. – De circunlocução e circunlóquio diz o referido autor: “Muito frequentemente ouvimos dizer: – Não ande com circunlóquios (ou – Deixe-se de circunlóquios...); mas nunca se ouve: – Não ande com circunlocuções. Depende isto de circunlocução designar particularmente o modo de dizer, e circunlóquio o próprio dito. Assim, dirse-á muito bem: – “À força de circunlocuções enredou-me o sr. com os seus circunlóquios”. 504 CIÚME, zelo, inveja; ciumento, cioso, zeloso, invejoso. – De ciúme e inveja escreve S. Luiz com muita eloquência: “Inveja é um sentimento penoso, causado pelo bem, que outrem possui. – Ciúme é um sentimento penoso causado pela pretensão que outrem tem, ou receamos que tenha, de possuir um bem, que julgamos nosso ou que aspiramos venha a ser nosso exclusivamente. A inveja é mais geral que o ciúme. Aflige-se do bem alheio, ainda que não possa pretendê-lo, nem aspirar a ele, nem daí lhe venha mal algum. O ciúme é mais limitado na sua extensão, e somente domina aqueles que pretendem, ou podem pretender, a posse do mesmo objeto. A inveja é um sentimento baixo, abjecto; é o tormento das almas vis: tudo o que pode servir de alguma utilidade ou vantagem aos outros a irrita, como se o bem alheio fosse mal seu. O ciúme tem uma origem mais nobre: nasce do orgulho, isto é, da ideia vantajosa, que cada um tem da superioridade do seu merecimento; e olha como inimigo o co