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jeção

que repugnam. – Cínico é o que se vangloria de não ter vergonha, e pratica os atos mais indignos sem que a alma lhes sinta um gesto de repulsa. – O impudente é também, como o cínico, desafrontado, mas propriamente não timbra de sua desvergonha: é antes frio, impassível na torpeza, e não se impressiona com o testemunho dos outros, nem com as censuras que lhe façam. – Descarado é o sujeito “que até no semblante, ou no gesto se mostra impudente, mas que não tem deste o despudor imperturbável, e antes parece que é mais leviano do que cínico”. – Desvergonhado diz por si mesmo – “espúrio de vergonha; que carece de brio”. Entre desvergonhado e desavergonhado mal se poderia notar a distinção que consiste em ser o último talvez mais próprio para exprimir o estado atual do que perdeu a vergonha; pois desvergonhado equivale a – de todo privado de vergonha; e desavergonhado
= sem mais a vergonha que tivera, ou que se devia esperar que tivesse. – Despudorado é o que se mostra destituído de pudor. Distingue-se este vocábulo entre os do grupo, e sobretudo entre os precedentes, desde que se não perca de vista que o pudor é um sentimento muito fino e melindroso do próprio crédito, do conceito moral de si mesmo. Despudorado fala-nos, portanto, mais de um estado atual, de um como deslize daquele que esqueceu o seu pudor – do que propriamente de uma condição ou de uma qualidade do caráter. E é por isso talvez que se usa mais na forma adverbial – despudoradamente (isto é – sem aquele pudor que se esperava, ou que era conhecido, e cuja ausência agora nos revolta por ser estranho). – Impudico diz apenas – “não pudico” (isto é – sem o pudor que lhe é, ou que lhe era ou seria próprio e natural). Dizemos, por isso – a Vênus impudica (e não – a Vênus despudorada, porque se não concebe uma Vênus pudica). Há, em suma, entre despudorado e

impudico uma diferença correspondente à que se deve notar entre despudor e impudicícia, sendo o despudor (quase equivalente de impudência) a falta, a ausência momentânea de pudor; e sendo a impudicícia uma qualidade do caráter impudico. Dizemos, por exemplo: “a impudicícia daquelas míseras criaturas é horrível, elas afrontam a luz do dia com despudor que nos confrange a alma”; e, portanto, dizemos também: “impudicas criaturas; quando as enfrentamos apareceram, ou mostraram-se tão despudoradas que eu cheguei a horrorizar-me...” – Safado é termo vulgar que designa “o que está moralmente estragado, gasto nos costumes”. – Patife é “o que, além de safado, é audacioso e faz garbo de afrontar os dignos”. – Canalha diz apenas – “baixo no proceder, sem a nobreza que se julga própria dos homens que se prezam”. – Reles é “o que se conduz como o comum dos tipos malcotados”. – Deslavado é um pouco menos que descarado: é o que pratica uma ação ilícita ou pouco digna sem pestanejar, mas muitas vezes sem parecer que tem uma perfeita consciência dela. – Safardana (pode ser empregado tanto como adjetivo como com a função de substantivo) é “o safado