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z; e ainda outros a atribuem a um pastor que fazia o mesmo que o mau poeta. E com efeito, falou deste Ovídio naquela passagem do liv. II das Metamorfoses, no qual refere como Mercúrio furtou a Apolo o gado que andava guardando; e não havendo ninguém visto fazer o roubo senão um pastor velho chamado Batto, rogou a este que não o descobrisse, oferecendo-lhe em prêmio uma novilha. O velho prometeu-lhe que sim; porém, duvidando Mercúrio que ele cumprisse a palavra, ausentou-se, mudou de forma, voltou, e perguntou-lhe se tinha visto para que parte fora o gado que pouco antes andava apascentando; e para tentar sua cobiça ofereceu-lhe uma vaca e um touro se lhe dissesse a verdade. O velho então respondeu-lhe: ‘Agora há pouco ao pé daqueles montes estavam, e estavam ao pé daqueles montes’.
.	Sub illis
Montibus, inquit, erant, et erant sub
[montibus illis.
  Pelo que, indignado, Mercúrio o transformou, diz Ovídio, na pedra chamada in-

dex, isto é – ‘descobridora’ ou ‘denunciadora’. A verdade é que a palavra grega Báthos significa ‘tartamudo’ ou ‘gago’; e como os que o são repetem duas, três ou mais vezes as sílabas iniciais das palavras até que rompem a falar, daqui se chamaram battos a todos os que repetiam sem necessidade uma mesma palavra. – Tautologia, do grego tautologia (de tautó ‘o mesmo’ + logós), é a repetição inútil da mesma ideia ou pensamento por termos diferentes. – Perissologia (de perissos ‘que é demais’ + logós), é superfluidade de palavras, redundância nímia, verbosidade aparatosa, e também exageração, encarecimento. Consiste principalmente este defeito em amplificar demasiadamente um pensamento, variando-o de muitos modos diferentes. O primeiro defeito (batologia) opõe-se à elegância, e é demasiado grosseiro para que nele caiam ainda escritores medíocres. O segundo (tautologia) e o terceiro (perissologia) opõem-se à concisão, e não são fáceis de evitar como o precedente. As frases de Ovídio são bastante concisas, e seu estilo é, sem embargo, redundante, porque gosta de variar um mesmo pensamento. Sêneca afeta mais concisão na frase, e, não obstante, é nímio e prolixo muitas vezes, porque, em colhendo entre mãos uma ideia, não a larga até haver apurado quanto sua rica imaginação lhe podia sugerir para ilustrá-la, amplificá-la, e variá-la de cem maneiras diferentes. Vieira também cai algumas vezes neste defeito: o que não admira, porque Sêneca era um dos seus autores favoritos. – Esta afetação, de mostrar que se sabe dizer uma mesma coisa de muitas e diferentes maneiras, é justamente o que Boileau chama com graça – ‘estéril abundância’. – O que não sabe omitir, entre o muito que sempre ocorre quando se escreve sobre matérias bem-estudadas, o que não é absolutamente necessário naquela passagem, é

um declamador, não um escritor judicioso; e incorre na censura do citado Boileau, que com tanta razão dizia:
Quem não sabe calar, nem escrever
[sabe.”
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BEATO, carola, hipócrita, tartufo. – Beato, neste grupo, tem uma acepção que só o uso aut