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natural, espúrio, ilegítimo. – “Todos estes vocábulos” – escreve
S. Luiz – “exprimem a qualidade do filho que é ilegítimo, ou que não é havido de matrimônio celebrado com as solenidades da lei; mas há entre eles diferenças mui notáveis”. – Bastardo é denominação genérica, que compete a qualquer filho ilegítimo; e parece referir-se, não tanto à ilegitimidade do matrimônio, ou da união dos sexos, quanto à degeneração, que daí se presume provir aos filhos, ou pela imoralidade que acompanha o ato em que são gerados, ou pela ordinária desigualdade da

condição dos pais, ou pelo descuido, também ordinário, que eles têm na educação da prole. Bastardo significa, em algumas línguas, coisa degenerada29; e nós mesmos chamamos, por exemplo, letra bastarda a que é degenerada da romana, por ser uma alteração dela; peça bastarda a que não tem as medidas próprias da sua espécie; trombeta bastarda a que dá um som misto, temperado do agudo e grave da legítima. O filho bastardo pode ser natural, ou espúrio: são duas espécies de bastardia. Chamamos natural o que nasce de concubinato, de barreguice, de matrimônio clandestino, etc.; em geral o que nasce de pessoas entre as quais não há impedimento algum legal que lhes vede o contraírem matrimônio. E chamamos espúrio o que nasce de pessoas entre as quais há esse impedimento, v. gr. – de casado e solteira ou vice-versa; de pai eclesiástico; de mãe religiosa, etc.; e também o que não tem pai certo. Desta última acepção da palavra espúrio nasceu o sentido figurado, que lhe damos na Arte Crítica, quando dizemos que uma produção, uma obra, um livro é espúrio, isto é – que lhe não conhecemos o autor, ou que não temos como tal o que vulgarmente se lhe atribui. – Segundo Roq. – espúrio é termo desonroso, porque não só denota bastardia, senão que dá a entender que o pai é incógnito porque a mãe se facilitava a vários quando o concebeu.
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BATOLOGIA, tautologia, redundância, perissologia. – Redundância é o termo genérico de que os outros do grupo especializam a significação; e quer dizer – “exces-

29 ~ Segundo Roq. – bastardo, do francês bátard, antigamente bastard, vem do alemão boest “degenerado”, e art “raça, espécie”; ou de bas “vil, baixo”, e stard “nascido”, que vale o mesmo que – “baixamentenacido”.

so de palavras para ornar o estilo, ou para fazer mais explícito o enunciado”. – Das três outras diz Roq. – “que indicam três defeitos do estilo que, dado serem todos contra a elegância e concisão da frase, são entre si distintos, como a origem e composição de cada uma delas o dá a conhecer. A toda inútil repetição de palavras chama-se batologia, palavra grega battología (de báthos e logos) sobre cuja origem não estão de acordo os autores. Dizem uns que se deve ao nome do fundador de Cirene, chamado Batto, o qual supõem que era gago, e tinha o costume de repetir cada coisa duas e mais vezes; outros a atribuem a um mau poeta do mesmo nome, que repetia um pensamento com as mesmas expressões que havia empregado a primeira ve